- O presidente do Conselho Europeu, António Costa, afirmou que a UE vai tentar aprovar medidas de apoio à energia numa cimeira no final da semana, face aos preços elevados de gás e luz.
- A reunião visa decidir sobre medidas temporárias para enfrentar o aumento dos custos da energia, num contexto descrito como “momento dramático e desafiante”.
- Costa sublinhou a necessidade de investir em energia produzida internamente para reduzir a dependência de energia importada, destacando a Península Ibérica e os países nórdicos como exemplos de menor custo.
- Entre as opções em discussão estão limitar temporariamente o preço do gás, reduzir impostos e encargos, apoiar empresas mais afetadas e considerar ajustes no mercado de carbono e reservas estratégicas.
- A Comissão Europeia defende proteção aos consumidores e um caminho estrutural via mais renováveis, redes elétricas e eficiência energética, mantendo o atual modelo de mercado da energia.
A União Europeia enfrenta uma escalada de preços da energia, com gás e eletricidade a subir no espaço comunitário. O presidente do Conselho Europeu, António Costa, pediu medidas temporárias para mitigar o impacto junto da Comissão Europeia, antes da cimeira da próxima semana. O objetivo é reduzir custos enquanto se perspetiva uma resposta coordenada.
Costa destacou que a crise é dramática para a ordem internacional baseada em regras e que exige decisões rápidas na reunião de líderes. Em entrevista à Lusa, o líder confirmou a vontade de adotar um conjunto de medidas temporárias para enfrentar o aumento dos custos da energia.
O político reforçou ainda a necessidade de investir na transição energética para reduzir a dependência de energia importada. Ilustrou que regiões com produção interna de energia têm preços mais baixos, citando a Península Ibérica e os países nórdicos como exemplos de maior autonomia.
Contexto e opções em discussão
Entre as opções em análise estão o controlo temporário do preço do gás, a redução de impostos e encargos nas faturas, e apoios estatais a setores industriais mais afetados. A União também avalia ajustes no mercado de carbono e o uso de reservas estratégicas de energia para estabilizar preços.
A Comissão Europeia defende, por seu turno, medidas de proteção aos consumidores e uma resposta estrutural centrada no investimento em energias renováveis, redes elétricas e eficiência, mantendo o modelo atual do mercado de eletricidade europeu.
Perspectivas geopolíticas
O tema surge numa conjuntura internacional marcada pela ofensiva de EUA e Israel contra o Irão, que continua a gerar retaliações no Médio Oriente. O irão respondeu com ações no Estreito de Ormuz, crucial para o abastecimento global de petróleo, o que pode colocar pressão adicional nos mercados energéticos.
Especialistas alertam que qualquer escalada que afete produção ou transporte de energia pode provocar choques nos preços a nível mundial. A Europa teme repetir cenários de crise energética vividos em 2022, agravados pela dependência de importações.
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