- A Agência Internacional de Energia (AIE) prevê uma queda de oito milhões de barris por dia na oferta mundial de petróleo em março, devido ao encerramento do estreito de Ormuz.
- A oferta média prevista para março fica em 98,8 milhões de barris por dia, caindo 7,5% face a fevereiro.
- Os fluxos que passavam por Ormuz foram reduzidos de 15 milhões de barris por dia de petróleo bruto e 5 milhões de barris por dia de derivados para menos de 10%.
- Os Estados Unidos, Canadá, bem como a Rússia e o Cazaquistão devem recuperar parte da queda a curto prazo, aumentando a produção.
- A AIE anunciou a utilização de até 400 milhões de barris das reservas estratégicas; prevê subida da oferta anual para 107,2 milhões de barris por dia e redução da procura, com incerteza sobre a duração do conflito.
A Agência Internacional de Energia (AIE) estima que o encerramento do estreito de Ormuz, provocado pela escalada no Médio Oriente, leve a uma queda da oferta mundial de petróleo de cerca de 8 milhões de barris por dia em março. O relatório mensal indica que o mercado vive a maior interrupção de fornecimento da história, com uma média prevista de 98,8 millones de bpd neste mês, abaixo do nível de início de 2022.
Fluxos que passavam por Ormuz, equivalentes a 15 millones de barris de petróleo bruto e 5 milhões de derivados por dia, teriam diminuído para menos de 10%. A curto prazo, a compensação virá principalmente de produtores fora da OPEP, nomeadamente EUA, Canadá, Rússia e Cazaquistão, que recuperariam parte da queda de fevereiro.
Reserva estratégica e preços
Nesta quarta-feira, a AIE informou que os seus 32 Estados-membros vão libertar até 400 milhões de barris das reservas estratégicas, a maior operação desse tipo, para mitigar a interrupção. O Brent chegou a oscilar acima de 120 dólares, recuando para perto dos 90 dólares na altura do anúncio.
A seguir, os preços voltaram a manter-se acima dos 95 dólares por barril, com volatilidade causada pela incerteza sobre a duração do bloqueio. A liberação parcial das reservas é apresentada como medida provisória, sujeita a alterações conforme evolua o conflito.
Perspetivas para o ano
Para o conjunto de 2026, a AIE prevê um aumento médio da oferta de petróleo de 1,1 milhão de bpd face a 2025, para 107,2 milhões de bpd, uma revisão em baixa face a uma previsão anterior de 2,4 milhões. O crescimento virá sobretudo de produtores não pertencentes à OPEP, com EUA e Brasil destacados.
Na procura, a agência reduziu também as perspetivas para março e abril, antevendo uma queda de cerca de um milhão de bpd face ao relatório anterior, influenciada pela redução de querosene e pela interrupção do gás natural liquefeito (GNL) no canal. A AIE aponta ainda que, a médio prazo, o comportamento dos consumidores poderá mudar devido ao aumento dos preços dos combustíveis.
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