- O relatório final da Conferência sobre a Transição dos Combustíveis Fósseis foi entregue às Nações Unidas durante a Semana do Clima de Londres, pelos ministros do Ambiente da Colômbia e dos Países Baixos.
- A dirigente colombiana Irene Vélez Torres afirmou que abandonar os combustíveis fósseis já é parte da agenda global, fundamentada na ciência.
- O texto apresenta cinco inovações para avançar da dúvida para ações concretas, incluindo mapa nacionais de transição e reformas na arquitetura financeira internacional.
- A Colômbia entrou na linha de frente do debate, mas enfrenta uma mudança política, com a derrota do governo progressista nas eleições e a ascensão de Abelardo de la Espriella, apoiado pelos Estados Unidos.
- A próxima conferência sobre a transição energética será organizada pela Irlanda e Tuvalu, com promessas de propostas concretas para além do diálogo.
O relatório final da Conferência sobre a Transição dos Combustíveis Fósseis foi entregue à ONU durante a Semana do Clima de Londres. O documento resulta da reunião que decorreu no final de maio em Santa Marta, Colômbia. Entre os signatários estiveram as ministras do Ambiente da Colômbia e dos Países Baixos. O objetivo é acelerar a saída dos combustíveis fósseis com base na ciência e na exigência da sociedade civil.
A entrega ocorreu paralelamente a um contexto de calor extremo na Europa Ocidental. O relatório foi apresentado à diretora-executiva da COP30 e ao secretário-geral da ONU, numa ocasião marcada por debates sobre políticas climáticas, energia e financiamento para transições justas.
A ONU revelou que as alterações climáticas, associadas à crise energética mundial, defendem uma reavaliação profunda da dependência de petróleo, gás natural e carvão. O texto sustenta que o abandono dos fósseis já não é apenas uma aspiração, mas uma prioridade prática.
Mudança política na Colômbia
Na Colômbia, a entrega coincide com a divulgação dos resultados eleitorais que afastam o governo governante de um programa ambientalista. Abelardo de la Espriella, de direita, venceu por margem estreita na segunda volta, prometendo retomar políticas de exploração de hidrocarbonetos.
O relatório sublinha que cerca de 75% das emissões mundiais de gases de efeito estufa derivam da atividade humana. Mantém, porém, que a transição já começou em muitas regiões, enfrentando entraves como custos de capital, dívida de países pobres e acesso a financiamento.
O documento aponta cinco inovações para as negociações do clima, incluindo a integração da transição com a transformação económica e a soberania energética, bem como maior cooperação entre negociações diversas para manter o foco nos direitos humanos.
Perspetivas e próximos passos
A conferência de Santa Marta abriu caminho para ações concretas, segundo a ministra holandesa do Ambiente. Destaca-se a criação de uma coligação com apoio de 57 países e várias partes interessadas, para desenvolver mapas nacionais de transição baseados em ciência.
A próxima conferência sobre a transição dos combustíveis fósseis será organizada pela Irlanda e por Tuvalu, com o objetivo de aprofundar o processo. Autoridades destacam que o diálogo multilateral deverá intensificar-se para evitar retrocessos.
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