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Praga de cobras ameaça as Ilhas Baleares

A cobra-ferradura expande-se pelas Baleares, ameaçando a lagartixa das Pitiusas; 90% de Ibiza já está colonizada, elevando o risco para a biodiversidade local

Exemplar de cobra-de-ferradura registado pelo governo das Baleares
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  • A cobra-ferradura expande-se pelas Ilhas Baleares, tendo já colonizado grande parte de Ibiza e Formentera e afetado a lagartixa das Pitiusas, espécie endémica e vulnerável.
  • A invasão começou em 2003, em Ibiza, com a presença da espécie fora da Península; Mallorca foi alcançada em 2006 e Formentera em 2010.
  • O estudo aponta como provável a ligação entre a introdução de oliveiras ornamentais trazidas da Península e a chegada das cobras, com remessas de plantas adultas contendo répteis a bordo.
  • Em 2024, a cobra-ferradura foi filmada a nadar entre ilhas; já se regista extinção de várias populações de lagartixa nas ilhas, e a espécie atua como superpredador.
  • Foram capturadas cerca de doze mil cobras desde 2016; apesar da expansão, as cobras não representam perigo para pessoas, e outras serpentes venenosas não chegaram ainda às Baleares.

A expansão da cobra-ferradura nas Ilhas Baleares traduz-se numa das maiores ameaças à biodiversidade local. A introdução ocorreu de forma acidental, com oliveiras ornamentais transportadas da Península, e já colonizou grande parte de Ibiza e Formentera. A espécie tem provocado o declínio de lagartixas autóctones, algumas exclusivas do arquipélago.

Especialistas descrevem o animal como superpredador num ecossistema com pouca concorrência natural. O avanço é rápido: já foram observadas extinções locais da lagartixa das Pitiusas em vários ilhéus, e exemplares já nadam entre ilhas para encontrar presas.

A história remonta a mais de duas décadas. Estudos indicam associação entre a introdução de oliveiras importadas da Península e a chegada dos répteis, que viajam em remessas de plantas para jardins privados.

Uma invasão silenciosa

Em 2003 foi detectada a cobra-ferradura em Ibiza e no conjunto das Baleares, onde até então não existia. Os primeiros estudos que confirmaram a propagação surgiram em 2010, quando se verificou a presença em Formentera, Maiorca e, posteriormente, noutros ilhéus.

A Direção de Biodiversidade aponta uma possível fonte nas quintas privadas: proprietários e empresas de jardinagem teriam transportado oliveiras adultas com cobras a bordo. Documentos de Sant Llorenç de Balàfìa associam registos a remessas de exportação.

Impacto e respostas

Desde 2016, as autoridades já capturaram cerca de 12 000 cobras, mas a expansão continua. Ibiza está, segundo dados oficiais, amplamente colonizada pela cobra-ferradura, que não oferece perigo direto ao ser humano, mas representa forte pressão para espécies locais.

Em 2024 foi registada pela primeira vez a travessia de água entre ilhas, com a cobra a nadar no mar Balear para explorar novas zonas de alimento. O CREAF confirmou o fim de várias populações de lagartixas, incluindo aPodarcis pityusensis, em várias ilhas.

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