- A Organização das Nações Unidas alerta que alterações climáticas e uso insustentável da terra pressionam as pastagens, já degradadas em metade do mundo, o que ameaça sistemas alimentares, água e biodiversidade.
- Em Portugal, a associação Zero pediu que o combate à desertificação passe a prioridade nacional, ligada à política climática, afirmando que as políticas atuais são omissas e desarticuladas.
- As pastagens ocupam quase um quinto da área de Portugal Continental e representam mais de metade da superfície agrícola utilizada, pelo que erradicar a degradação passa pelo cuidado com estes ecossistemas e apoio aos seus gestores.
- O ano é marcado pelo tema “Pastagens: Reconhecer. Respeitar. Restaurar”, com o foco no pastoreio sustentável, na resistência à seca e na restauração de ecossistemas; o secretário-geral da ONU destacou a importância de apoiar pastores e povos indígenas.
- Soluções apontadas incluem pastoreio rotativo, sistemas silvopastoris e gestão comunitária, com a COP17 da UNCCD a realizar-se entre 17 e 28 de agosto em Ulan Bator, Mongólia.
A ONU alerta que as alterações climáticas e a utilização insustentável da terra colocam pressão crescente sobre as pastagens globais. Metade já está degradada, o que ameaça sistemas alimentares, segurança hídrica, biodiversidade e meios de subsistência.
As pastagens cobrem mais de metade da superfície terrestre e sustentam cerca de dois mil milhões de pessoas, fornecendo quase 70% da alimentação do gado mundial. O alerta foi feito pela UNCCD no Dia Mundial de Combate à Desertificação, a 17 de Junho.
Em Portugal, a associação Zero exorta o Governo a apostar na proteção das paisagens como prioridade nacional de luta contra a desertificação, vincando a ligação entre políticas climáticas eUso sustentável da terra.
Apoio a quem gere as pastagens
Quase um quinto da área de Portugal Continental é composto por pastagens, essenciais para economias locais e habitats de alto valor. Aqui, as pastagens representam mais de metade da superfície agrícola utilizada.
A Zero sublinha que combater a degradação depende do bom estado destes ecossistemas, mas as políticas associadas estão desarticuladas e pouco articuladas com o território, pondo em risco parte dos territórios nacionais.
Segundo a associação, os instrumentos de política climática em Portugal são amplamente omissos quanto ao combate à desertificação, num ciclo em que alterações climáticas degradam solos, provocam secas e armazenam menos carbono.
A Zero defende que a revisão do PANCD, o Programa de Acção Nacional de Combate à Desertificação, seja usada como oportunidade para colocar a proteção dos solos no centro das políticas setoriais e de ordenamento, com recursos adequados.
Ano das Pastagens e dos Pastores
As comemorações do Dia Mundial de Combate à Desertificação tiveram o tema Pastagens: Reconhecer. Respeitar. Restaurar, destacando o pastoreio sustentável, a resiliência à seca e a restauração de ecossistemas.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, destacou que este é também o Ano Internacional das Pastagens e dos Pastores, incentivando o apoio a pastores, povos indígenas e conhecimento tradicional na proteção destes ecossistemas.
Com a seca a intensificar-se, governos, cientistas e comunidades pedem ações rápidas para proteger, restaurar e apoiar quem gere as pastagens.
Soluções possíveis
A ONU cita soluções como o pastoreio rotativo, sistemas silvopastoris, conhecimentos indígenas e gestão comunitária para recuperar terras degradadas. Pastagens saudáveis tendem a ser mais resilientes à seca.
A organização apela a reconhecer o valor das pastagens e dos seus guardiões, a respeitar saberes tradicionais e a investir na gestão sustentável da terra e da água.
COP17 da UNCCD, centrada nas pastagens e nos seus gestores, realiza-se em Ulan Bator, Mongólia, de 17 a 28 de Agosto, com foco na proteção e restauração de ecossistemas.
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