- Até 2030, as perdas acumuladas de PIB nos países mais expostos ao calor extremo poderão variar entre cinco e sete por cento; França lidera com perdas potenciais de 240 mil milhões de dólares (209 mil milhões de euros) nos próximos cinco anos.
- Itália é a segunda economia europeia mais exposta (147 mil milhões de dólares/128 mil milhões de euros), seguida de Alemanha (131 mil milhões de dólares/114 mil milhões de euros) e Espanha (120 mil milhões de dólares/104 mil milhões de euros). Japão comparativamente pode sofrer até 354 mil milhões de dólares.
- Com temperaturas acima de 30 °C, a produtividade do trabalho pode diminuir cerca de 3% por cada grau adicional, enquanto a procura de energia sobe aproximadamente 1,2% por grau.
- O calor extremo pode reduzir o investimento em média 8% nos países afetados, com impactos orçamentais: perdas de receitas fiscais de 1,8% (França), 1,3% (Itália e Espanha) e 0,7% (Alemanha), pondo pressão nos saldos e no défice público.
- A União Europeia ainda não tem respostas iguais entre países: Espanha está mais avançada na proteção de trabalhadores; França lidera em construção resistente ao calor; a adaptação carece de financiamento estável de longo prazo.
A notícia afirma que o calor extremo pode travar o crescimento económico da maior parte das economias europeias, com França, Itália e Espanha entre as mais expostas. O estudo da Allianz Trade projeta perdas de PIB entre 5% e 7% até 2030, caso os episódios de calor se agravem até níveis semelhantes aos do ano mais quente já registado.
A análise baseia-se em cinco anos climáticos quentes, escolhidos entre 2014 e 2024, e antecipa uma subida gradual de calor entre 2026 e 2030. França lidera o ranking com perdas potenciais de até 240 mil milhões de dólares nos próximos cinco anos, seguidas pela Itália, Alemanha e Espanha.
Impactos por país e por setor
A Itália aparece como a segunda economia europeia mais exposta, com perdas previstas de 147 mil milhões de dólares, depois da França. A Alemanha e a Espanha apresentam estimativas de 131 e 120 mil milhões de dólares, respetivamente. As perdas totais no Japão, por comparação, alcançam 354 mil milhões de dólares.
Trabalhadores da construção, fabrico e setor agrícola perdem horas produtivas durante vagas de calor, enquanto os custos de arrefecimento sobem para empresas e famílias. A produtividade diminui em torno de 3% por cada grau acima de 30 ºC, e a procura de energia sobe cerca de 1,2% por grau adicional.
Consequências macroeconómicas e energia
O relatório aponta que o calor pressiona infraestruturas energéticas: maior procura eléctrica e risco de interrupções na oferta, com o mix europeu dependente de gás, nuclear e carvão, todos sensíveis a problemas de arrefecimento. Em França, 2019 mostrou como o arrefecimento pode reduzir a produção nuclear e alterar preços.
Além da produtividade, o calor poderá reduzir o investimento em até 8% nos países afetados, gerando um ciclo de menor retorno e cortes de despesa. As pressões inflacionistas e a subida de desemprego são previstas, com efeitos sobre as decisões de política monetária na área do euro.
Finanças públicas e adaptação
As receitas fiscais podem recuar entre 0,7% e 1,8% do PIB, dependendo do país, com deterioração dos saldos orçamentais de cerca de 0,5% ao ano. Itália e Espanha enfrentam risco de ultrapassar limites de défice impostos pela UE; França já apresenta défice próximo de 4,9%.
A Allianz Trade destaca que a preparação varia entre países, com Espanha mais avançada na proteção de trabalhadores e França na construção resiliente ao calor. No entanto, nenhum país reúne proteção ampla de trabalhadores, edifícios e finanças públicas de forma suficiente.
Caminhos de adaptação e financiamento
O relatório indica que a UE precisa de estratégias de longo prazo para adaptação, com financiamento estável e não apenas medidas de emergência. Incentivos para isolamento, arrefecimento e seguros podem ajudar a reduzir impactos, especialmente em agregados familiares de rendimentos mais baixos.
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