- Portugal chegou a 2025 sem cumprir na totalidade nenhum dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, segundo a 8.ª edição do relatório do Instituto Nacional de Estatística (INE).
- Dos 189 indicadores, 23 atingiram integralmente a meta, e 105 registaram evolução globalmente positiva; destacam-se avanços em energia, água e inovação, mas retrocessos em educação, igualdade de género e proteção dos oceanos.
- ODS com melhor desempenho: Energia Limpa e Acessível (ODS 7) com 80% dos indicadores em evolução favorável; água potável e saneamento (ODS 6) com 75% em trajetória positiva; indústria, inovação e infraestruturas (ODS 9) com 72,7% em evolução.
- Em termos de metas já alcançadas, o relatório cita biodiversidade, eficiência de recursos e participação cívica na governação urbana, entre outros, além de proteção do mar desde 2022 e metas de controlo de espécies invasoras.
- Os maiores riscos de atraso concentram-se em Educação de Qualidade (ODS 4), Igualdade de Género (ODS 5) e Proteção da Vida Marinha (ODS 14), com retrocessos em PISA, violência de género e conservação de áreas marinhas, apesar de avanços nalguns indicadores.
Portugal não atingiu integralmente nenhum dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU em 2025, segundo o INE. A 8.ª edição do relatório 2015–2025 avalia os progressos de uma década de políticas públicas. O documento foi divulgado esta semana.
A avaliação é indicador a indicador, não objetivo a objetivo. De 189 indicadores globais, 23 atingiram a meta, e 105 evoluíram de forma globalmente favorável. Áreas como energia, água e inovação aparecem entre os pontos mais fortes.
No entanto, 38 indicadores mostram retrocesso relativo, 10 não registaram alterações e 36 não têm dados suficientes para avaliação. Educação, igualdade de género e proteção dos oceanos destacam-se entre os setores com resultados menos positivos.
Energia, água e inovação lideram
Mais de 70% dos indicadores evoluíram na direção certa em três objetivos-chave. Energia Limpa e Acessível (ODS 7) registou 80% de evolução favorável, com a eletricidade já universalmente acessível e renováveis representando 36,5% do consumo energético em 2024. A meta de 51% para 2030 exige aceleração.
No âmbito da Água Potável e Saneamento (ODS 6), 75% dos indicadores seguem trajeto positivo. Água segura alcançou 98,9% em 2024 e saneamento básico foi assegurado para 99,8% da população em 2025. Todos os rios transfronteiriços têm acordos de cooperação.
Indústria, Inovação e Infraestruturas (ODS 9) apresentaram 72,7% de evolução favorável. O país investe mais em I&D e tem menos poluição por unidade de riqueza criada, indicado pela redução de emissões por produção.
Entre os indicadores com progresso sólido, constam também Parcerias para a Implementação (ODS 17) com 66,7%, e Saúde de Qualidade (ODS 3) com 64%. Desempenho estável em Redução das Desigualdades (ODS 10) e ação climática (ODS 13).
O que já foi alcançado
O relatório aponta metas integralmente cumpridas em áreas como biodiversidade, direitos humanos e governação ambiental. Em recursos, Portugal atingiu a meta de consumo de materiais por unidade de PIB. Em governação urbana, houve avanços na participação cívica no planeamento.
Na proteção do mar, Portugal cumpriu desde 2022 o enquadramento legal para acesso da pesca artesanal a recursos e mercados. Em vida terrestre, o país adotou legislação para controlo de espécies invasoras e integrou metas de biodiversidade nas contas nacionais.
Instituições também atingiram metas, assegurando acesso público à informação e mantendo padrões de direitos humanos alinhados com os Princípios de Paris.
Maior risco de atraso
Educação de Qualidade (ODS 4), Igualdade de Género (ODS 5) e Proteção da Vida Marinha (ODS 14) apresentam os evoluções mais preocupantes. Em Educação, apenas 44,4% dos indicadores evoluíram positivamente; 33,3% pioraram. Resultados PISA mostram quedas em leitura e matemática entre 2015 e 2022.
Apesar do aumento de alunos que concluem níveis de ensino — 96,1% no básico e 90,4% no secundário em 2023/2024 —, a qualidade não acompanha o ritmo de cobertura. Infraestruturas tecnológicas é uma fragilidade persistente nas escolas.
Em Igualdade de Género, apenas 25% dos indicadores avaliáveis melhoraram. A violência de género persiste como desafio, com 22,5% de mulheres entre 18 e 74 anos a reportarem violência em contexto de intimidade em 2022.
Na área da Vida Marinha, 60% dos indicadores recuam. As áreas protegidas mantêm-se nos 7% entre 2017 e 2024, aquém da meta de 30% para 2030. O financiamento à investigação marinha diminuiu, de 2,1% para 1,7% do total de I&D, entre 2016 e 2022.
Apesar disso, Portugal manteve progresso em áreas marinhas, com medidas recentes para criar novas áreas protegidas, o que pode melhorar o cenário nos próximos anos. No Continente, todos os grupos de peixes estudados com maior rigor já são pescados de forma sustentável.
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