- O rio Eufrates pode ter-se formado há 3,6 milhões de anos a partir de dois sistemas fluviais distintos, segundo um estudo liderado pela Universidade da Austrália Occidental.
- O curso estende-se por cerca de 3.000 quilómetros, desde a Turquia até ao golfo Pérsico, e moldou a geologia da Ásia ocidental ao longo de milhões de anos.
- Os rios Paleo-Karasu e Paleo-Murat teriam desaguado numa bacia marinha que secou parcialmente durante a crise de salinidade do Messiniano, entre há 5,97 e 5,33 milhões de anos.
- A atividade tectónica posterior fez o Paleo-Murat deslocar-se para sudeste, em direção ao golfo Pérsico, e o Paleo-Karasu juntou-se a ele mais tarde, culminando no actual rio Eufrates.
- Existem incertezas devido à dificuldade de reconstruir antigos cursos fluviais e à dependência de modelos; são necessários mais trabalhos de campo e métodos de datação para confirmar.
O estudo, liderado por investigadores da Universidade da Austrália Ocidental, sustenta que o rio Eufrates terá surgido há cerca de 3,6 milhões de anos. O curso estende-se hoje por cerca de 3000 km, desde a Turquia ao golfo Pérsico.
A equipe defende que o Eufrates resultou da confluência de dois sistemas fluviais distintos que desaguaram numa bacia mediterrânea que já secava. Os rios Paleo-Karasu e Paleo-Murat terão percorrido a área da Turquia e da Síria.
Segundo os autores, a crise de salinidade do Messiniano, entre 5,97 e 5,33 milhões de anos, reduziu a ligação entre o Mediterrâneo e o Atlântico, levando a alterações tectónicas subsequentes.
O estudo aponta que o Paleo-Murat desloçou-se para sudeste em direção ao golfo Pérsico, enquanto o Paleo-Karasu se reuniu ao antigo curso pouco tempo depois, formando o único eixo que deu origem ao Eufrates.
As descobertas oferecem uma nova perspetiva sobre a evolução dos sistemas fluviais na Ásia Ocidental, com consequentes implicações para o entendimento do Crescente Fértil, embora permaneçam incertezas por dependerem de modelos e de reconstituições indiretas.
Metodologia e perspetivas futuras
A investigação baseia-se em imagens sísmicas de sedimentos enterrados, mapas de depósitos antigos e modelos de transporte de sedimentos. A equipa ressalva que trabalhos de campo adicionais são necessários para confirmar as hipóteses.
Foram usados métodos de datação e reconstrução de cursos antigos para sustentar a hipótese de dois sistemas que convergiram num único rio. A continuidade de estudos pode refinar a cronologia e as dinâmicas tectónicas envolvidas.
Entre na conversa da comunidade