- Um estudo com um cientista da Universidade do Minho alerta para prudência na introdução de vida fora da Terra, pois pode provocar invasões biológicas irreversíveis se microrganismos, plantas ou animais escaparem ao controlo.
- A terraformação é descrita como um evento de invasão potencialmente imprevisível que pode alterar ecossistemas noutros corpos celestes.
- Os investigadores defendem a regulação rápida da colonização espacial, com princípios semelhantes aos usados no combate a espécies invasoras na Terra, para evitar riscos ambientais, éticos e evolutivos.
- Exemplos citados incluem a introdução de coelhos e raposas na Austrália em 1859 e o acidente do módulo lunar Beresheet, que poderá ter libertado tardígrados na Lua.
- O estudo, publicado na revista Oikos, propõe a criação de entidades globais de governação e uma abordagem interdisciplina entre biólogos, astrobiólogos, especialistas em ética e decisores políticos.
Um estudo internacional, com participação de um cientista da Universidade do Minho, alerta para os riscos de introduzir vida fora da Terra. A pesquisa defende prudência na colonização biológica de Lua e Marte, destacando possíveis alterações aos ecossistemas desses corpos celestes.
Segundo o estudo, a colonização espacial pode desencadear invasões biológicas irreversíveis se microrganismos, plantas ou animais introduzidos pelos humanos escaparem ao controlo. A introdução de espécies terrestres em corpos extraterrestres é encarada como um evento de invasão com potencial imprevisível.
O pesquisador da Universidade do Minho reforça que a presença prolongada em Lua ou Marte pode ajudar a sobrevivência humana a longo prazo, mas pode também modificar ecossistemas nativos. O alerta é para evitar o lançamento de primeiras espécies invasoras interplanetárias e repetir erros ecológicos da Terra.
Os autores defendem uma regulação da colonização espacial baseada em princípios semelhantes aos usados no combate a espécies invasoras na Terra. O objetivo é antecipar riscos ambientais, éticos e evolutivos, evitando que se tornem realidade a partir da ficção científica.
Ronaldo Sousa, do Centro de Biologia Molecular e Ambiental, cita exemplos históricos como a introdução de coelhos na Austrália em 1859 e o incidente do módulo lunar Beresheet, em 2019, para ilustrar potenciais consequências de introduções acidentais. O estudo ressalva que missões espaciais aumentam o debate político e científico sobre terraformação.
A investigação, co-autorada por Teun Everts e Phillip Haubrock, foi publicada na revista Oikos. Os autores encaram a terraformação como uma forma de introdução biológica mediada por humanos, não apenas engenharia planetária, defendendo rápida regulação da introdução deliberada de vida fora da Terra.
Entre os potenciais pioneiros da terraformação, o estudo analisa fungos resistentes, cianobactérias, microrganismos metanogénicos e organismos sintéticos. Adverte que estes podem formar solos, produzir oxigénio ou alterar a atmosfera, mas podem também gerar subprodutos tóxicos em ambientes com recursos limitados.
O trabalho destaca a importância da prevenção, deteção precoce e avaliação de impactos, apontando que o futuro da área depende de aprender com erros passados. A equipa chama à criação de entidades globais de governação e à colaboração entre biólogos, astrobiólogos, especialistas em ética e decisores políticos.
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