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Mina urbana escondida pode suprir 56% de recursos críticos na Europa até 2050

Relatório indica que a mina urbana pode substituir até 56% das matérias-primas críticas da UE até 2050, com políticas de circularidade ambiciososas

Resíduos de construção e demolição e resíduos eléctricos e electrónicos fazem parte da "mina urbana" de matérias-primas críticas
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  • Um relatório do projecto FutuRaM conclui que as matérias-primas secundárias podem substituir até 56% das necessidades da União Europeia até 2050, mediante políticas de circularidade ambiciosas.
  • Em termos de cenário atual, a substituição seria de 33%, enquanto um cenário intermédio, que foca apenas na melhoria da recuperação, chegaria aos 47%.
  • O estudo identificou quarenta e duas matérias-primas críticas, ao analisar sete grandes fluxos de resíduos, incluindo baterias, resíduos de construção, veículos e resíduos de equipamentos elétricos e eletrónicos.
  • Toda a informação ficou centralizada na Urban Mine Platform, que projeta cenários até 2050 e é apresentada como base de dados para a mina urbana europeia.
  • Entre as recomendações, o relatório defende um quadro europeu harmonizado de classificação e reporte, obrigação de normas de tratamento de resíduos e do quadro de contabilização UNFC, registo de todos os intervenientes da cadeia de valor e maior fiscalização, bem como investimento em modelação de cenários, sensibilização e qualificação dos trabalhadores.

A Europa pode tornar-se mais autónoma na eventual substituição de até 56% das matérias-primas críticas através da recuperação de resíduos urbanos, segundo um relatório do projecto FutuRaM. O estudo, financiado pela União Europeia, analisa resíduos de baterias, eletrónica, construção, veículos e outros fluxos até 2050. A conclusão aponta para políticas de circularidade ambiciosas como condicionante.

Se as políticas forem amplas e eficazes, a recuperação de materiais secundários pode cobrir 56% das necessidades da UE. Em contrapartida, manter práticas actuais resultaria numa substituição de apenas 33%. Um cenário intermédio, apenas com melhoria na recuperação, situaria-se nos 47%.

O relatório recorda que a diferença entre dependência externa e autonomia está muito ligada à vontade política. Os resíduos dispersos em aterros, armazéns e equipamentos obsoletos são identificados como a maior fonte potencial de matérias-primas críticas. O conceito de mina urbana ganha relevância no debate europeu.

Sete fluxos, 42 matérias-primas

O projecto FutuRaM identificou 42 matérias-primas críticas, entre elas lítio, cobalto, terras raras, índio e gálio, essenciais para a transição energética. A análise aborda sete grandes fluxos de resíduos: baterias em fim de vida, construção e demolição, veículos, e-waste, turbinas desmanteladas, escórias e resíduos históricos de mineração.

Os investigadores lançaram a Urban Mine Platform, uma base de dados que projeta cenários até 2050. A plataforma é apresentada como a mais abrangente sobre a mina urbana europeia.

Recomendações políticas

O relatório propõe institucionalizar a Urban Mine Platform como infra-estrutura digital europeia permanente, com governação estável. Defende ainda a harmonização de métodos de classificação, reporte e rastreio das matérias-primas secundárias ao longo do ciclo de vida.

A aplicação obrigatória de normas europeias de tratamento de resíduos e do quadro UNFC é sugerida para aumentar transparência. Todos os intervenientes da cadeia de valor devem registar-se e reportar dados, reduzindo a circulação irregular de resíduos.

Medidas adicionais passam pela intensificação de inspeções, proibição de pagamentos em dinheiro a negociantes de sucata e clarificação das obrigações de retoma de materiais em fim de vida. O relatório também recomenda reforço na modelação de cenários e investimentos em campanhas de sensibilização e qualificação profissional.

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