- As espécies invasoras dos ecossistemas aquáticos causam 363 mil milhões de euros de prejuízos por ano, sendo os custos para as populações claros, mas sem contabilizar danos imensuráveis aos ecossistemas.
- A Semana sobre Espécies Invasoras (SEI 2026) decorre em Portugal e Espanha até 31 de maio, com o objetivo de sensibilizar a população para o problema.
- Espécies mencionadas: tartarugas exóticas, minhoca marinha coreana, peixe gigante siluro e alga castanha asiática, todas consideradas invasoras em ambientes aquáticos.
- A campanha alerta que ações humanas, como largar animais na natureza ou usar isco vivo, podem ter impactos graves; o isco vivo “ganso coreano” deve ser descartado no lixo.
- Casos como a amêijoa japonesa economicamente positiva, a invasão na Lagoa de Albufeira e a necessidade de prevenção nos mares são exemplos usados para explicar impactos e medidas preventivas.
As espécies invasoras dos ecossistemas aquáticos provocam prejuízos anuais estimados em 363 mil milhões de euros, segundo investigadores. A quantia refere apenas aos custos diretos para as populações, sem contabilizar danos obscuros aos ecossistemas.
A campanha SEI2026, organizada pela comunidade científica ibérica, arrancou no sábado e decorre até 31 de maio, em Portugal e Espanha. O objetivo é sensibilizar a população para as ameaças que as espécies invasoras representam para a biodiversidade e para a economia.
Paula Chainho, professora da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e investigadora do MARE, sublinha que o impacto no meio aquático é especialmente grave, em comparação com a terra, onde já é uma das principais ameaças à biodiversidade.
O que está em causa
A campanha aborda várias espécies invasoras: tartarugas exóticas em lagos e rios, a minhoca marinha coreana, o siluro e a alga castanha asiática. Cada tema será divulgado ao longo da semana para ilustrar diferentes vias de entrada e efeitos.
O MARE e a ARNET destacam que, em muitos casos, cidadãos comuns podem contribuir para a disseminação. A libertação de animais, o lançamento de iscos vivos no mar e outros hábitos favorecem a instalação de espécies não nativas.
Exemplos e impactos
Em Portugal, a libertação de tartarugas e o uso de iscos vivos já causam prejuízos a espécies nativas, incluindo cágados ameaçados. Em Lagos e Sesimbra, invasões afetam a produção de mexilhão e podem reduzir colheitas na água.
Algumas espécies invasoras surgem de forma intencional, como a amêijoa japonesa e o lagostim vermelho, usados por motivos económicos ou para alimentar aves. Outras surgem sem plano predefinido, por acidentes de pesca, embarcações ou devoluções à natureza.
Porquê a campanha é necessária
Especialistas defendem que não há invasora benéfica a longo prazo: qualquer introdução pode trazer desequilíbrios ecológicos. A disseminação rápida depende da fecundidade, da tolerância a condições variadas e da capacidade de competir com espécies nativas.
A iniciativa pretende esclarecer que a prevenção é possível e que cada pessoa pode reduzir riscos. Medidas simples, como não libertar animais e evitar lançar iscos vivos no mar, são destacadas como ações preventivas.
Perspetivas e próximos passos
A campanha detalha que, quando uma espécie invasora é detetada em terra, ações precoces ajudam a mitigar impactos. No ambiente aquático, o desafio é maior devido à velocidade de proliferação.
Na próxima semana, o movimento do MARE/ARNET vai veicular cartazes e conteúdos nas redes sociais para ilustrar como hábitos individuais podem abrir portas a novas invasoras.
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