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Espécies invasoras aquáticas causam grandes prejuízos com gestos simples

Espécies invasoras dos ecossistemas aquáticos geram 423 mil milhões de dólares em prejuízos anuais; pequenos gestos podem prevenir impactos

Ecossistemas aquáticos
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  • As espécies invasoras dos ecossistemas aquáticos provocam cerca de 423 mil milhões de dólares de prejuízos por ano, segundo a IPBES, e parte pode advir de gestos inocentes.
  • A campanha SEI2026 (Semana sobre Espécies Invasoras) inicia em Portugal e Espanha, até 31 de outubro, para sensibilizar a população.
  • Exemplos de espécies invasoras em Portugal: tartarugas exóticas, minhoca marinha coreana, siluro e alga castanha asiática; a campanha aborda um por dia.
  • A professora Paula Chainho explica que uma espécie não indígena pode ou não tornar-se invasora, e quando o é pode causar impactos graves; qualquer cidadão pode ajudar na prevenção.
  • Não existem “boas” espécies invasoras; apesar de alguns impactos económicos positivos pontuais, o objetivo é evitar introduções, especialmente nos mares, com ações simples no dia a dia.

As espécies invasoras dos ecossistemas aquáticos causam prejuízos estimados em 423 mil milhões de dólares por ano, segundo a professora Paula Chainho. Os custos refletem impactos diretos sobre populações humanas, mas não incluem danos inestimáveis aos ecossistemas.

Paula Chainho, professora na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e investigadora do MARE, alerta que as invasões marinhas são a segunda principal causa de perda de biodiversidade no meio aquático, atrás apenas de pressões terrestres. O aviso chega à Agência Lusa em contexto de uma campanha de sensibilização.

A Semana sobre Espécies Invasoras começa este sábado em Portugal e Espanha, e decorre até 31 de outubro. A iniciativa envolve a Rede Portuguesa de Estudo e Gestão de Espécies Invasoras e visa mobilizar a população para o tema.

Campanha de sensibilização

O MARE e o ARNET lançam uma campanha nacional para alertar para as maiores ameaças biológicas nos ecossistemas aquáticos. Serão abordadas espécies como tartarugas exóticas, minhoca marinha coreana, peixe siluro e a alga castanha asiática, com foco diário em cada uma.

Segundo Chainho, nem toda espécie não nativa se torna invasora. O risco depende das condições em cada local onde é introduzida. Quando invasora, pode provocar impactos muito graves sobre as espécies nativas.

A população pode ter um papel ativo na prevenção. A cientista cita exemplos simples: evitar libertar animais comprados para o ambiente, não deitar restos de isco vivo no mar e não soltar espécies no ecosistema. Pequenas ações de cada um podem reduzir riscos.

Dentro do quadro de exemplos, a especialista destaca casos práticos. Em Lagos e rios, a tartaruga e o cágado nativos enfrentam ameaças por invasoras. O isco vivo conhecido como ganso coreano também exige descarte adequado.

De acordo com a evidência científica, invasoras costumam ter alta fecundidade, reprodução precoce e tolerância a variações de temperatura, salinidade e poluentes. Quando encontram condições favoráveis, proliferam e afetam ecossistemas e atividades económicas.

Chainho cita o caso da Lagoa de Albufeira, em Sesimbra, onde tunicados invasores comprometeram a produção de mexilhão. O fenómeno ilustra danos económicos diretos em áreas de aquicultura.

Algumas espécies são citadas como exceções de impacto reduzido, ou com efeitos positivos sob perspetiva humana, não ambiental. A ameijoa japonesa domina o estuário do Tejo com relevância económica, e o lagostim vermelho ajudou a alimentar cegonhas, num exemplo pontual.

A introdução de espécies pode ser intencional, como a ameijoa e o siluro, ou não intencional, por ações de pescadores, aquacultura e embarcações. A responsabilização recai sobre várias atividades humanas, não sobre um único culpado.

A campanha próxima semana vai divulgar cartazes e conteúdos nas redes sociais para mostrar que o comportamento individual pode facilitar a entrada de invasoras. O objetivo é promover ações preventivas a nível público.

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