- Carla Almeida, presidente da Junta da Misericórdia, pede intervenção mais firme da Câmara Municipal de Lisboa para distinguir estabelecimentos que cumprem regras.
- Diz que o Bairro Alto está a perder equilíbrio e identidade, com fechamentos de talhos e mercearias e com lojas iguais; rejeita a ideia de ser uma discoteca a céu aberto e afirma que devia ser um bairro para viver.
- Mesmo com medidas para limitar o álcool à noite, os moradores continuam a não conseguir descansar; o problema também se verifica no Cais do Sodré e na Praça das Flores.
- A Junta diz ter pouca margem de manobra: não licenciamos nem fiscalizamos; tem trabalhado com comerciantes, sensibilização e recolha de resíduos, além de formação de recursos humanos.
- Alerta que, em pouco mais de uma década, a área perdeu cerca de cinco mil residentes, ficando com menos de nove mil; um bairro sem moradores deixa de ser bairro.
O Bairro Alto não deve transformar-se numa discoteca a céu aberto, defende Carla Almeida, presidente da Junta da Misericórdia. A autarca afirma que o recinto não pode perder a identidade de bairro para residentes e comerciantes.
As queixas sobre ruído, ruas sujas e o desaparecimento de comércio tradicional mantêm-se entre quem vive na área. Carla Almeida admite que a freguesia está a perder o equilíbrio que define a zona há décadas, e que as competências da Junta são limitadas, dependendo amplamente da Câmara Municipal de Lisboa.
Apesar de medidas recentes para reduzir o consumo de álcool durante a noite, não se verificam ainda efeitos positivos no terreno. A presidente diz que o problema se estende a áreas como o Cais do Sodré e a Praça das Flores, onde também há queixas de descanso e comércio.
Intervenção municipal e próximos passos
A dirigente explica que a Junta não tem poderes de licenciamento nem de fiscalização, o que dificulta ações rápidas. Ainda assim, refere que tem ocorrido atuação comunicando com comerciantes, promovendo sensibilização e criando parcerias para reforçar a responsabilidade.
No mandato anterior, a junta reforçou a recolha de resíduos em parceria com a Associação de Comerciantes do Bairro Alto. Presentemente, avançam duas iniciativas: reconhecer estabelecimentos que cumprem regras e formar recursos humanos para melhorar a relação com quem visita o bairro. Sem uma intervenção mais firme da Câmara, admite, o esforço pode não ser suficiente.
A população da antiga freguesia registou uma perda de cerca de 5 mil residentes em pouco mais de uma década, ficando com menos de 9 mil. A autarca sublinha que o bairro depende das pessoas que lá vivem, trabalham e circulam, e que a redução populacional impacta a vida local.
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