- O ICNF convocou a equipa que gere o Centro Nacional de Reprodução do Lince-Ibérico (CNRLI), em Silves, para uma reunião na quinta-feira, após a recomendação da ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho.
- Espanha afirma não ter sido informada sobre as mudanças e pediu uma reunião; Madrid diz que não houve comunicação formal por parte do ICNF.
- Críticas crescem pela falta de um plano de transição claro, com cientistas a defender uma transição responsável que preserve continuidade técnica e cooperação internacional.
- A equipa envolve catorze profissionais altamente especializados, com condições de transição laboral a tratar com responsabilidade para garantir o bem-estar dos linces e a operação do centro.
- A mudança está prevista para 1 de junho; o centro integra um programa ibérico de sucesso, embora o lince-ibérico continue classificado como espécie vulnerável.
O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) convocou a equipa que gere o Centro Nacional de Reprodução do Lince-Ibérico (CNRLI), em Silves, para uma reunião esta quinta-feira. A decisão surge após uma intervenção da ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, e visa clarificar a transição da gestão do centro.
A reunião acontece num contexto de mudanças anunciadas para o centro, três semanas antes da data prevista para a mudança, a 1 de junho. A equipa atual teme impactos no bem-estar dos animais e na continuidade de um programa de conservação de grande relevância.
Rodrigo Serra, responsável técnico do centro, diz que existe abertura do ICNF para o encontro, mas ainda não há propostas concretas. O ICNF não respondeu a questões até ao momento da publicação desta notícia.
A ministra Maria da Graça Carvalho enviou uma recomendação ao ICNF para que o bem-estar dos linces seja a prioridade, independentemente da internalização da gestão. O documento sugere manter práticas que assegurem a qualidade do programa.
A pressão sobre o ICNF aumenta dentro e fora da comunidade científica. Cientistas e associações criticam a falta de um plano de transição claro e estruturado, temendo descontinuidade técnica e perda de know-how.
Um grupo de investigadores assinou um decálogo para uma transição responsável, defendendo continuidade técnica, respeito pela experiência das equipas e processos graduais e transparentes. O documento é apoiado por figuras como Miguel Bastos Araújo.
Entre as dúvidas está o futuro da equipa de 14 profissionais do centro. A necessidade de condições de transição laboral adequadas é sublinhada pelos responsáveis, para não comprometer o funcionamento do centro.
Não está ainda definido o que o ICNF poderá propor na reunião de quinta-feira. Serra afirma que não pretende comentar cenários hipotéticos, mas considera que meses de transição podem ser insuficientes, citando casos semelhantes em Espanha.
A Espanha, parceira no programa ibérico, afirma não ter sido formalmente informada sobre as mudanças. O governo espanhol pediu reuniões não atendidas e alerta para decisões conjuntas sobre reprodução, trocas de animais e reintroduções.
O centro de Silves tem sido referência de sucesso na recuperação do lince-ibérico, que já regista mais de dois mil indivíduos na Península Ibérica. Mesmo assim, o lince continua classificado como vulnerável, dependente de programas intensivos.
O encontro de quinta-feira deverá ditar os próximos passos da gestão do centro, com especial foco na proteção dos animais, na continuidade operacional e nos direitos laborais da equipa. O desfecho permanece em aberto.
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