- O Centro Nacional de Reprodução do Lince Ibérico (CNRLI), em Silves, passa por uma possível transição de gestão interna pelo ICNF, que enviou três vigilantes da natureza e a veterinária Alexandra Pereira para coordenar o projeto, com a perspetiva de início de gestão a 1 de Junho.
- A equipa atual alega não ter recebido plano de transição ou justificações formais, tendo apenas recebido informações tardias sobre a presença de técnicos do ICNF no terreno.
- Alexandra Pereira, veterinária, pode coordenar o centro, mas a equipa aponta que a sua experiência com fauna selvagem é limitada, levantando dúvidas sobre a preparação técnica para o papel.
- O contrato da atual equipa, que gere o centro desde 2009, termina a 31 de Maio, e o ICNF não apresentou ainda um plano técnico, legal ou operacional de transição, nem justificativas para a mudança.
- A equipa reforça o compromisso de não abandonar os animais e afirma que uma transição segura precisa de tempo, defendendo que a passagem de testemunho, em Espanha, demorou dois anos.
O Centro Nacional de Reprodução do Lince Ibérico (CNRLI), em Silves, pode enfrentar uma transição abrupta de gestão. Nesta segunda-feira, o ICNF enviou três vigilantes da natureza e uma veterinária, Alexandra Pereira, que deverá coordenar o projecto a partir de 1 de Junho. A equipa atual não recebeu plano de transição nem justificações formais.
Rodrigo Serra, coordenador do Programa Ibérico de Conservação ex-situ, afirmou que a visita do ICNF foi anunciada de forma súbita e sem detalhar as funções das novas entradas. A comunicação tardia e a ausência de um cronograma claro elevam dúvidas sobre o futuro da gestão do centro.
A equipa de Silves relata que a presença de técnicos sem currículo divulgado aumenta a apreensão. A nomeação de Alexandra Pereira, com experiência apenas em animais domésticos, suscita cautela sobre a adaptação à gestão de fauna selvagem em cativeiro.
Situação de transição e planos
O contrato atual com a empresa que tem gerido o CNRLI termina a 31 de Maio. Desde Fevereiro, os responsáveis dizem ter recebido apenas encontros informais e várias cartas sem resposta por parte do ICNF. O organismo não apresentou um plano técnico ou legal de transição.
As preocupações concentram-se na continuidade da recuperação do lince-ibérico, programa reconhecido pela sua evolução positiva. O ICNF afirma, de forma genérica, que a decisão resulta de uma avaliação interna para ter uma equipa interna capaz de gerir o centro.
Segurança dos animais e continuidade do trabalho
Os técnicos do centro asseguram que não abandonarão os linces, mesmo em cenário de ruptura. A equipa afirma que, se necessário, estará no terreno no dia 1 para manter a proteção e o bem-estar dos animais, visivelmente num período crítico de crescimento de crias.
O know-how acumulado ao longo de 16 anos é visto como recurso insubstituível. Segundo Serra, uma transição rápida pode colocar em risco anos de trabalho, especialmente quando a fase atual envolve a reintrodução e o manejo de juvenis em competição.
Reação da comunidade científica
Especialistas em conservação temem que a descontinuidade de uma equipa experiente ponha em risco o projecto. Em Espanha, houve estratégias de passagem de testemunho que demoraram dois anos, sinal de que mudanças de gestão requerem planeamento cuidadoso para manter a continuidade.
Até ao momento, o ICNF não apresentou documentação detalhada sobre o processo de transição nem justificações formais. A ministra do Ambiente remeteu questões ao ICNF, reiterando apenas a confiança na autoridade ambiental para gerir o programa.
Contexto do projeto
O lince-ibérico está classificado como espécie vulnerável e já beneficiou de programas de reprodução em cativeiro com sucesso reconhecido. A situação atual ocorre num momento de intensificação de esforços para salvar a espécie, com histórico de resultados positivos no país.
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