- Ambientalistas dizem que multinacionais pressionam a União Europeia para adiar o Regulamento de Embalagens e Resíduos de Embalagens, através de uma carta de 16 páginas datada de 29 de Abril e assinada por mais de 100 diretores-executivos.
- Entre as signatárias estão Coca‑Cola, Heineken, Burger King, McDonald’s e Sumol Compal; a carta apela a atraso e revisão das medidas que visam reduzir resíduos plásticos e químicos.
- A entrada em vigor da lei está prevista para 12 de Agosto de 2026.
- A aliança ambientalista Rethink Plastic respondeu com uma carta aos líderes europeus para rejeitar a pressão e manter o regulamento conforme acordado pelo Parlamento Europeu, pelo Conselho e pela Comissão.
- Observadores alertam para riscos de enfraquecer restrições a PFAS em embalagens e de abrir precedente de influência corporativa sobre uma legislação já aprovada.
A pressão de grandes multinacionais para atrasar a nova lei europeia de embalagens voltou a ganhar lateponto na UE. Ambientalistas dizem que a carta, assinada por mais de 100 CEOs de bebidas e alimentação, visa enfraquecer o Regulamento de Embalagens e Resíduos de Embalagens. A lei está prevista entrar em vigor a 12 de agosto de 2026.
A aliança ambiental Rethink Plastic tornou pública a carta de 16 páginas, datada de 29 de abril, em que as empresas pedem à União Europeia para adiar a aplicação, além de rever medidas sobre resíduos plásticos e químicos. A nota aponta dúvidas sobre a influência de interesses externos.
Na resposta, a Rethink Plastic enviou uma carta aos líderes europeus a defender a rejeição da pressão e a manter o regulamento tal como aprovado pelo Parlamento Europeu, pelo Conselho e pela Comissão.
Substâncias químicas “eternas”
Marco Musso, do Gabinete Europeu do Ambiente, afirma que é decepcionante tentar atrasar a legislação para proteger cidadãos e reduzir resíduos de embalagens. Uber desenvolvido, muitos subscritores permanecem a favor do regulamento e já investem para cumprir.
Musso lembra que não representam a totalidade da cadeia de valor e que várias empresas estão alinhadas com o regulamento, enquanto se preparam para a transposição. Mantém-se assim o compromisso com a integridade regulatória.
Alega-se que, se a UE ceder à pressão, as restrições às PFAS em embalagens que entram em contacto com alimentos podem ser enfraquecidas. PFAS são substâncias persistentes que se acumulam no ambiente e nos organismos vivos.
Riscos de abrir um precedente
A possível reversão pode abrir exceções que mantenham grande parte das embalagens de uso único no mercado, dificultando a redução de resíduos. A Rethink Plastic sustenta que o recuo enfraqueceria metas ambientais e prejudicaria a confiança de empresas já em conformidade.
A aliança recorda que o regulamento foi alvo de intenso lobbying, mas foi aprovado após consulta pública e preparação de anos por parte das empresas. A mobilização é vista como um teste à independência legislativa europeia.
Organizações não governamentais criticam o comportamento de algumas assinantes da carta, apontando um conflito entre compromissos públicos e posições de bastidores. A discussão envolve a transição para reutilização e redução de embalagens.
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