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Peregrinação: fé diante do limite do corpo em calor extremo

Estudo alerta que calor extremo já coloca peregrinações em risco; em Meca, limites de sobrevivência são atingidos e Fátima exige novas medidas de proteção

A investigação analisou as condições meteorológicas durante o Hajj de 2024, a maior peregrinação religiosa do mundo
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  • Um estudo apresentado na União Europeia de Geociências alerta que o calor extremo já coloca em risco grandes peregrinações, incluindo Hajj em Meca e a de Fátima.
  • Durante o Hajj de 2024, houve horas com calor e humidade que ultrapassaram o limite de sobrevivência humano, com temperaturas a chegar aos 51,8 °C e mais de 1.300 mortes reportadas.
  • Os investigadores projetam que, num mundo 2 °C mais quente, o risco de insolação durante o Hajj pode aumentar até dez vezes; manter o aquecimento global em 1,5 °C reduziria esse aumento para cerca de cinco vezes.
  • O estudo sugere que é aplicável a Portugal, e questiona-se como mitigar riscos na peregrinação de Fátima — incluindo mais pontos de água, sombras artificiais e horários ajustados.
  • As autoridades de saúde defende monitorização, resposta rápida em caminhos de peregrinação, promoção de hidratação, roupas leves e reconhecimento precoce de sinais de exaustão pelo calor.

O calor extremo já coloca em risco grandes peregrinações, segundo um estudo apresentado na União Europeia de Geociências. O trabalho analisa o Hajj de 2024, maior peregrinação mundial, ocorrida em Meca, com foco nas condições de temperatura e humidade.

A investigação é liderada por Atta Ullah, com parceiros do serviço meteorológico paquistanês e da Climate Analytics, em Berlim. A ideia é mostrar que, num planeta em aquecimento, fé, vontade e preparação física não anulam limites biológicos.

Durante vários momentos do Hajj de 2024, o calor extremo ultrapassou o limiar de sobrevivência humana, com temperaturas registadas ao longo de horas. O estudo aponta que a combinação calor-humidade foi o principal fator de risco.

Resultados-chave do estudo

Entre os dados analisados, destaca-se um pico de 51,8 graus Celsius em Meca. Em várias jornadas, o esforço físico de rituais, caminhadas e multidões colocou peregrinos em zonas de elevado risco, segundo os autores.

No dia 17 de Junho de 2024, observaram-se cerca de quatro horas contínuas de esforço físico em condições de calor intenso. O estudo sublinha que a transpiração não garantia arrefecimento suficiente.

O Dia de Arafat é apontado como o mais vulnerável, pela maior exposição ao ar livre, sem sombras naturais. Os autores alertam para o impacto das mudanças climáticas nas peregrinações, não apenas no Hajj.

Aplicação a outros contextos

Atta Ullah afirmou que o estudo é aplicável a Portugal e a outras peregrinações, onde há deslocação a pé, longas distâncias e humidade elevada. A mensagem envolve avaliar atividades físicas permitidas e medidas de mitigação.

Em Fátima, a peregrinação de 12 e 13 de Maio é a mais participada, com milhares de fiéis. Este ano prevêem-se dias mais amenos, com temperaturas abaixo dos 20°C e possibilidade de chuva fraca.

A ciência reforça que riscos não são apenas teóricos; consequências de calor extremo já se verificam. A necessidade de planeamento, informação e infraestruturas de apoio torna-se maior, mesmo em contextos de menor temperatura.

Medidas de saúde pública e responsabilidade

Especialistas destacam que mudanças climáticas obrigam repensar horários, água disponível e áreas sombreadas ao longo de percursos. A Direção-Geral da Saúde tem publicado recomendações para hidratação e proteção solar.

Tiago Correia, investigador, sublinha que a fé não se regula, mas que hábitos de segurança devem adaptar-se. A gestão de riscos envolve fiéis, organizações religiosas e autoridades de saúde pública.

Além de adaptar cronogramas, há necessidade de equipas médicas, voluntários e estruturas de apoio ao longo das trajetas de peregrinação. O objetivo é monitorizar e responder rapidamente a sinais precoces de exaustão pelo calor.

No Hajj, algumas mudanças já estão em curso, como espaços climatizados para rituais. Os autores indicam que tais medidas reduzem riscos, mas não eliminam a ameaça se o aquecimento global continuar.

A análise alerta para a falta de dados sólidos sobre o perfil de peregrinos e doenças associadas. A qualidade da resposta de saúde pública depende do conhecimento sobre necessidades e padrões de risco durante grandes concentrações.

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