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Alga asiática continuará a invadir praias do Algarve e Cascais

Alga asiática continua a invadir praias do Algarve e Cascais; custo de remoção cresce e perspetivas passam pela valorização para biometano e agricultura

A erradicação das algas é praticamente impossível
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  • A alga asiática Rugulopteryx okamurae continua a invadir praias do Algarve e de Cascais, com crescimento de massas e presença em várias zonas costeiras.
  • A densidade média apontada pelos cientistas é de cerca de 500 mil indivíduos por metro quadrado, com os impactos mais visíveis na Andaluzia e no barlavento algarvio.
  • A espécie já chegou à Suécia, após ter surgido em várias regiões mediterrânicas, incluindo Portugal, e é associada a prejuízos no turismo e na pesca.
  • O plano nacional da Agência Portuguesa do Ambiente visa mitigar e monitorizar os efeitos, com conclusão prevista até julho; a erradicação não é considerada viável a curto prazo.
  • Registaram-se grandes operações de remoção: em 2023, 40 mil toneladas na praia do Carvoeiro, e em Cascais cerca de 1.300 toneladas no ano anterior, com custos relevantes para as autarquias.

A alga asiática Rugulopteryx okamurae, uma espécie invasora, continua a invadir praias do Algarve e de Cascais, com uma progressão que já atinge centenas de milhares de esqueletos por metro quadrado. A notícia foi apresentada durante uma conferência no Museu de Portimão, onde especialistas destacaram que a invasão envolve centenas de milhares de indivíduos por metro quadrado e tem vindo a aumentar com o calor e a concentração de CO2 na atmosfera. O fenómeno já chegou à Suécia, evidenciando a capacidade de dispersão da espécie.

As zonas mais afetadas são a Andaluzia e o barlavento algarvio. Cientistas do Centro de Ciências do Mar (CCMar) da Universidade do Algarve indicaram que o crescimento anual da alga pode manter-se elevado devido às alterações climáticas, o que complica planos de erradicação. Rui Santos, investigador da UAlg, sublinhou que a alga veio para ficar e que apenas ações em fases iniciais têm potencial de sucesso na sua remoção.

Dados de operações de limpeza mostram impactos significativos. Em 2023, a Câmara de Lagoa retirou 40 mil toneladas apenas da praia do Carvoeiro, com a maquinaria pesada a trabalhar em apenas uma das 15 praias do município. Em Cascais, a recolha no ano anterior totalizou 1.300 toneladas, com um custo estimado de meio milhão de euros. Nas zonas atingidas, há relatos de prejuízos para o turismo e para a pesca artesanal.

Planos e Perspectivas

Os especialistas defenderam a valorização da alga como resposta a curto prazo, com o envolvimento do setor industrial na produção de biometano e na aplicação na agricultura. A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) mantém um plano nacional para mitigar e monitorizar os efeitos da alga, com conclusão prevista até julho. O objetivo é reduzir impactos, reconhecendo que a erradicação total é improvável.

Luís Encarnação, presidente da Câmara de Lagoa, destacou que o conhecimento surge também junto dos pescadores, que relatam alterações na fauna local. O autarca mencionou casos de espécies que já desapareceram da costa e reforçou a necessidade de explorar remoções ainda na coluna de água para evitar que a alga atinja as praias.

Algumas soluções estudadas pelo grupo de pesquisadores incluem a criação de bio-refinarias para produzir biometano a partir da alga e o uso da biomassa na agricultura. A adesão a estas iniciativas depende de mudanças regulamentares na União Europeia, que atualmente restringem a comercialização de espécies invasoras. As autoridades aguardam orientações para viabilizar estas alternativas dentro da prática econômica europeia.

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