- Estudo de Cambridge mostra que macacos de Gibraltar passaram a comer terra para aliviar desconforto digestivo causado pelo consumo excessivo de doces e salgados trazidos por turistas.
- Ao longo de 98 dias de observação, registaram-se 46 casos de ingestão de terra em 44 animais, com maior frequência na época alta turística.
- 83% dos episódios envolveram terra vermelha (terra rossa); 89% ocorreram na presença de outros macacos que observavam.
- Os investigadores consideram o comportamento socialmente transmitido, com grupos diferentes a preferirem tipos de solo distintos; o topo do Rochedo foi o principal foco.
- O solo pode ajudar a reequilibrar o estômago e a microbiota, atuando como barreira no trato digestivo; 18,8% de toda a comida consumida era junk food trazida pelos turistas.
Dois a três parágrafos iniciais sem subtítulo:
Um estudo divulgado nesta quarta-feira revela que os macacos-de-Gibraltar passaram a consumir terra para mitigar o desconforto gastrointestinal provocado pela alimentação abundante de doces e salgados oferecidos por turistas. A observação ocorreu na Rochedo de Gibraltar, no sul da Península Ibérica, onde reside a única população de macacos em liberdade na Europa.
A pesquisa, realizada por investigadores da Universidade de Cambridge, monitorou o comportamento de grupos de macacos-berbere. Concluiu que a geofagia—ingestão de terra intencional—já é prática regular entre os animais expostos a alimento humano, com maior incidência na época alta de turismo.
O que aconteceu
Durante 98 dias de observação entre o verão de 2022 e a primavera de 2024, foram registados 46 episódios de ingestão de terra em 44 indivíduos. Em três casos, a geofagia ocorreu pouco depois de consumo de comida humana.
Quem está envolvido
A equipa liderada por Sylvain Lemoine, responsável pelo Projeto Macacos de Gibraltar, documentou os comportamentos de grupos que habitam o Rochedo. Os macacos de Gibraltar, cerca de 230 indivíduos distribuídos por oito grupos, foram o foco da investigação.
Quando, onde e porquê
A pesquisa decorreu entre o verão de 2022 e a primavera de 2024, no Rochedo de Gibraltar. Os resultados indicam que o consumo de terra está ligado ao contacto frequente com turistas e a uma alimentação rica em calorias, açúcar, sal e laticínios, que afeta o microbioma intestinal.
Desdobramentos e dados relevantes
Os investigadores registaram que 30% dos episódios ocorreram em grupo, com vários animais a partilhar o mesmo afloramento. Nove em cada dez incidentes ocorreram na presença de outros macacos que observavam.
Os tipos de solo mais procurados foram a terra rossa e argila vermelha de Gibraltar, representando 83% dos episódios. A geofagia também foi associada a uma possível transmissão cultural entre grupos.
Interpretação dos especialistas
Os cientistas sugerem que o solo atua como barreira digestiva, reduzindo a absorção de componentes nocivos dos alimentos processados. Pode ainda introduzir bactérias benéficas que ajudam a microbiota intestinal.
Considerações finais
O estudo aponta que a geofagia tem componentes funcionais e culturais, fortemente impulsionados pela proximidade com os humanos. Não foi observado aumento da ingestão de terra durante gravidez ou lactação, sugerindo que a motivação não é suplementação nutricional própria das fases reprodutivas.
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