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Consumo de água em risco: usamos recurso já esgotado

Falência hídrica já é realidade: o uso supera a reposição, definindo quem tem água e quem fica sem, numa disputa por poder e direitos

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  • Segundo o relatório Global Water Bankruptcy, a crise da água evoluiu para falência hídrica, com muitos sistemas já a colapsar e a recuperação a ser considerada ficção.
  • Cerca de setenta por cento da água doce global é consumida pela agricultura; mais de trinta por cento dos grandes aquíferos estão em declínio e quase setenta por cento dos glaciares já desapareceu desde 1970.
  • A produção de energia, mesmo renovável, exige água; centrais solares, hidrogénio verde e mineração dependem de recursos hídricos sob pressão, aumentando a competição entre usos.
  • Dois milhões e duzentos mil milhões de pessoas não têm água potável segura e três mil quinhentos milhões vivem sem saneamento adequado, elevando a dimensão social do problema.
  • A solução passa por reduzir a procura, redistribuir usos, reformar instituições e eliminar desperdícios; não existem atalhos tecnológicos, é necessária ação coordenada a vários níveis, local, nacional, regional e global.

O planeta já ultrapassou o limite da água doce disponível, segundo o relatório Global Water Bankruptcy. Mesmo assim, a prática corrente continua a gastar água sem considerar que não há reposição suficiente. O documento descreve uma falência hídrica em curso, não uma recuperação.

Dados do estudo indicam que cerca de 70% da água doce é consumida pela agricultura. Além disso, 70% dos grandes aquíferos estão em declínio e mais de 30% da massa glacial desapareceu desde 1970. O relatório afirma que o sistema terrestre opera fora do intervalo estável do Holoceno.

A análise alerta para a transição energética sem considerar o custo hídrico. Centros solares, hidrogénio verde e mineração de minerais críticos dependem de água, em regiões já sob pressão. O uso desprovido de planeamento gera competição por recursos.

A infraestrutura digital também consome água para arrefecimento. Data centers, inteligência artificial e armazenamento em nuvem pressionam zonas com escassez, agravando assim a disputa entre água para consumo humano, agricultura, energia e tecnologia.

O relatório sublinha que decisões sobre água costumam ficar distantes dos territórios afetados. Fluxos financeiros definem que infraestruturas se constroem e que sistemas se expandem ou desativam, com impactos desiguais sobre as comunidades.

Segundo o estudo, 2,2 mil milhões de pessoas não têm acesso a água potável segura e 3,5 mil milhões vivem sem saneamento adequado. A crise tem dimensões sociais, de direitos, igualdade e género, e envolve escolhas políticas.

A prioridade, no cenário de falência hídrica, seria assegurar necessidades básicas e serviços essenciais. Contudo, o documento acusa decisões tomadas sem participação local, privilegiando interesses económicos e de lucro sobre as necessidades das comunidades.

A transição para uma economia de baixo carbono é criticada por manter padrões de crescimento e concentração de poder, sem justiça hídrica. O relatório sustenta que sem equidade na gestão da água não há transição energética justa.

O relatório conclui que não há atalhos tecnológicos para resolver a escassez de água. Reduzir a procura, redistribuir usos e reformar instituições são passos necessários, realizados a nível local, nacional, regional e global.

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