- Cientistas afirmam que a subida do nível do mar ameaça Veneza e pode obrigar a relocalização da cidade no futuro.
- Um estudo publicado na Scientific Reports analisa estratégias de adaptação e conclui que nenhuma solução atual garante salvaguarda definitiva, dada a projeção do IPCC.
- Se a subida superar 0,5 metros até 2100, é provável a necessidade de diques, com custos estimados entre 500 milhões e 4,5 mil milhões de euros.
- Um “super dique” poderia proteger até 10 metros de subida, mas o custo inicial pode exceder 30 mil milhões de euros; transferir a cidade é considerado apenas como último recurso.
- A transferência permanente de Veneza, junto com residentes e património, pode chegar a 100 mil milhões de euros depois de 2300; intervenções de grande escala podem levar 30 a 50 anos a implementar.
Veneza enfrenta uma ameaça crescente devido à subida do nível do mar, o que pode exigir uma relocalização da cidade no futuro. Um estudo recente avaliou estratégias de adaptação já existentes e potenciais, à luz do Sexto Relatório de Avaliação do IPCC.
A investigação, publicada na Scientific Reports, analisa cenários de água elevada na lagoa veneziana, que é palco de cheias cada vez mais frequentes há 150 anos. Criadas barreiras e planos para proteger a Basílica de São Marcos já entraram em debates de financiamento e eficácia.
Veneza, Património Mundial da UNESCO, continua vulnerável a inundações. No passado recente houve tempestades que atrasaram drenagens e transformaram ruas em rios, evidenciando a necessidade de respostas rápidas.
Possível relocação
Os autores apontam que, com subida do nível do mar acima de 0,5 metros, até 2100, será provável apostar em diques robustos, com custos entre 500 milhões e 4,5 mil milhões de euros. Esses taludes protegem a cidade de inundações mais severas.
A opção de encerrar a lagoa com um super dique é outra hipótese viável para mitigar elevações até 10 metros, mas o investimento inicial pode exceder 30 mil milhões de euros. O custo e o tempo de construção são fatores críticos.
Em cenários mais extremos, acima de 4,5 metros de subida, a transferência da população e dos monumentos históricos é considerada, com estimativas de custos até 100 mil milhões de euros, e prazos que se estendem para além de 2300.
Desafios de implementação
Os autores alertam para o tempo necessário: intervenções de grande escala podem demorar entre 30 e 50 anos, exigindo planeamento antecipado e coordenação entre autoridades locais e nacionais. Não existe uma solução única que garanta Veneza a prazo.
O professor Robert Nicholls, da Universidade de East Anglia, recomenda que zonas costeiras habitadas comecem desde já a ponderar cenários de adaptação, equilibrando segurança, economia e preservação do património. Veneza é apontada como exemplo crítico.
Contexto técnico
A subida do nível do mar resulta de fatores globais: derretimento de glaciares, expansão térmica da água e, localmente, o afundamento do solo na lagoa veneziana. Este último é agravado por movimentos naturais da crosta e pela água subterrânea já proibida de extracção.
A análise destaca ainda que ventos sazonais podem intensificar marés de tempestade, empurrando água do Adriático para dentro da lagoa. Dependência de eventos climáticos extremos amplifica o risco de inundações graves na cidade.
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