- Abelhas-rainha de abelhões conseguem respirar debaixo de água durante a diapausa, permitindo que sobrevivam ao inverno quando o derretimento da neve enche as tocas.
- Em laboratório, rainhas em diapausa permaneceram submersas durante até oito dias, enquanto outras ficaram apenas algumas horas.
- Durante a submersão, as rainhas mantiveram a taxa metabólica estável e produziram dióxido de carbono, o que indica respiração subaquática.
- O estudo, publicado na Proceedings of the Royal Society B: Biological Sciences, nasceu de um acaso envolvendo Sabrina Rondeau, com pesquisas anteriores já sugerindo sobrevivência de uma semana.
- Os investigadores identificaram ainda um recurso energético anaeróbio, levando ao acúmulo de lactato; a recuperação após a submersão ocorreu em dois a três dias.
Nos abelhões, as rainhas demonstraram uma capacidade rara: sobreviver ao inverno submersas debaixo de água. O fenómeno foi observado durante a diapausa, o estado de dormência que antecede a primavera. A descoberta promete entender melhor a resiliência de insetos frente a inundações.
O estudo indica que as rainhas conseguem manter-se vivas sob água durante períodos que vão de algumas horas a quase uma semana. A pesquisa ocorreu no contexto do inverno, quando as tocas ficam inundadas pela chuva e pelo degelo.
A investigação teve início a partir de uma observação casual feita pela pesquisadora Sabrina Rondeau, durante um experimento sobre pesticidas em abelhões. Rainhas em diapausa foram subitamente submersas em tubos com terra e água.
Como respiram debaixo de água
Num ensaio controlado, as rainhas foram colocadas em câmaras inundadas e monitorizadas. Observou-se que algumas permaneceram submersas até oito dias, mantendo atividade metabólica mediana, ainda que baixa.
Ao longo da experiência, foi medida a taxa metabólica e registadas alterações fisiológicas. As rainhas submersas continuaram a produzir dióxido de carbono, sinal de respiração subaquática.
A equipa conclui que as rainhas recorrem a um sistema energético anaeróbio suplementar, gerando lactato. Após a sua remoção, a taxa metabólica recuperou-se nos dois a três dias seguintes.
Implicações da descoberta
Os investigadores sugerem que a capacidade de suportar cheias e inundações pode explicar, em parte, como os insetos terrestres persistem em habitats propensos a desbordamentos. O estudo reforça a importância de entender alterações sazonais de cheias na primavera.
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