- A Agência Portuguesa do Ambiente registou 749 ocorrências na costa portuguesa, incluindo o recuo da linha de costa entre 10 e 20 metros.
- Na praia de São João da Caparica, entre 20 de janeiro e 19 de fevereiro, o recuo máximo foi de 14 metros; a duna natural e o projeto Reduna evitaram males maiores.
- Em Fonte da Telha, uma duna criada por iniciativa municipal ajudou a impedir o avanço do mar perto de áreas urbanas, com promessas de enchimentos de areia para proteger a zona costeira.
- O Governo anunciou um investimento total de 111 milhões de euros para recuperar e reforçar a costa, com 15 milhões até final de maio e 12 milhões até dezembro.
- Especialistas destacam que o recuo resulta de fatores naturais e de impactos humanos (subida do nível do mar, sedimento retido por barragens e extração de areia), exigindo planeamento adequado e medidas de proteção sem soluções únicas.
O oceano recuou vários metros em várias praias da costa portuguesa, após tempestades no início do ano. A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) revelou 749 ocorrências na costa, entre as quais quedas significativas na linha de costa. O recuo chegou a dezenas de metros em alguns locais.
Na Costa da Caparica, em Almada, o recuo registou até 14 metros entre 20 de janeiro e 19 de fevereiro. A duna natural e o projeto de preservação Reduna evitaram danos maiores, segundo a autarquia. Em Cova do Vapor, a proteção manteve-se estável por causa da duna.
Na Fonte da Telha, o cenário foi semelhante, com zonas afetadas pela proximidade de concessões turísticas junto à água. A autarca destacou que enchimentos de areia prometidos pelo governo são essenciais para proteger praias e áreas urbanas adjacentes.
A APA revelou um conjunto de intervenções para reforçar o litoral, incluindo a reposição de areia, reforço de cordões dunares e estabilização de arribas. O programa soma 111 milhões de euros, com 15 milhões previstos até maio e 12 milhões até dezembro.
O governo anunciou medidas para recuperar infraestruturas costeiras, reforçar a proteção e manter o acesso às praias. Entre as ações estão a reconstrução de acessos, recuperação de passadiços e alimentação artificial de praias.
O recuo das praias é descrito por especialistas como um processo natural, agravado por fatores como subida do nível do mar, fenómenos extremos e défice de sedimentos. Barragens históricas ajudam a explicar parte do fenómeno.
Para o futuro, as autoridades defendem ajustar o planeamento urbano e manter ações de proteção. Não se colocam soluções únicas, mas um conjunto de medidas adaptadas às características de cada território e comunidade costeira.
Recuo costeiro e responsabilidades
Especialistas destacam que o problema resulta de uma conjugação de fatores naturais e intervenções humanas, com impactos mais visíveis em zonas urbanas e balneares. A manutenção da costa exige coordenação entre entidades locais e nacionais.
Perspetivas de gestão e proteção
Autoridades apontam para reforçar a resiliência natural, evitar ocupação de áreas de alto risco e adaptar planos municipais. A gestão costeira passa pela engenharia, planeamento e participação comunitária, sem soluções universais.
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