- Derrocada da barragem de rejeitos de tungsténio nas Minas da Panasqueira para a ribeira de Cebola, afluente do rio Zêzere, em Fevereiro de 2026, com potencial contaminação por metais pesados como chumbo e arsénio.
- A Quercus denuncia falhas de reabilitação e fiscalização, pedindo ações da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), da Entidade Reguladora dos Serviços de Água e Resíduos (ERSAR) e da Beralt Tin and Wolfram; a Câmara Municipal da Covilhã já monitorizou a água e suspendeu temporariamente a captação no afluente.
- A Empresa Portuguesa das Águas Livres (EPAL) recolheu amostras para averiguar impactos na água destinada ao abastecimento público; a Barragem de Castelo do Bode, que alimenta Lisboa, fica subjacente ao cenário de avaliação.
- A Quercus alerta para risco potencial à água potável para Lisboa e exige maior remediação das escombreiras, maior capacidade da ETAR e monitorização regular da qualidade da água a jusante.
- Estudos anteriores já indicaram níveis elevados de arsénio e outros metais nos solos, sedimentos e águas associadas às Panasqueira; MiningWatch Portugal sustenta que novos desabamentos podem ocorrer sem intervenção adequada.
Minas da Panasqueira: derrocada de barragem de rejeitos desperta alerta sobre contaminação no rio Zêzere. Em fevereiro de 2026, fortes chuvas causaram o desabamento de uma barragem de lamas na região da Covilhã, arrastando resíduos para a ribeira de Cebola, afluente do Zêzere. Quercus denuncia riscos de metais pesados, incluindo chumbo e arsénio.
A associação ambientalista afirma que a derrocada envolve uma infraestrutura antiga, com fragilidades históricas, e que o incidente pode impactar a qualidade das águas do Zêzere, que alimentam a albufeira de Castelo de Bode, principal fornecedora de água para Lisboa. A EPAL já recolhe amostras em várias zonas para avaliar impactos.
No local, a autarquia da Covilhã confirmou que, após a derrocada, houve suspensão temporária da captação de água naquele afluente, com abastecimento assegurado por camiões cisterna. As autoridades prometeram monitorização contínua e novas análises da qualidade da água.
A Quercus sustenta que a contaminação foi detetada nas margens do Zêzere, devido às águas residuais provenientes do processo mineiro. Em resposta, a Beralt Tin & Wolfram, concessionária da mina, afirma monitorizar a qualidade da água ao longo de vários quilómetros do Zêzere, com resultados não comprovando a denúncia.
O tema levanta preocupações adicionais sobre o abastecimento público de Lisboa. Para a Quercus, é necessário que a APA e a ERSAR promovam estudos periódicos da qualidade da água e colheitas anuais de amostras junto de comunidades ribeirinhas, para detetar precocemente potenciais impactos na saúde pública.
A Câmara Municipal da Covilhã também reportou que, em janeiro, já tinha mobilizado equipas de proteção civil e da empresa Águas da Covilhã para monitorar a situação, com a Barragem de Castelo do Bode a continuar responsável pelo fornecimento de água a várias zonas. A APA e a IGAMAOT não responderam a pedidos de esclarecimento.
Paralelamente, a derrocada atingiu áreas agrícolas adjacentes, incluindo vinhas e olivais, levantando pedidos de indemnização. A MiningWatch Portugal aponta que os materiais lançados podem ser altamente ácido e conter arsénio, com potenciais consequências de médio a longo prazo para o solo e produtividade.
Novos desabamentos continuam a ser uma possibilidade, conforme a organização, que indica falhas estruturais antigas e descargas poluentes como fatores de risco. A região permanece sob escrutínio devido ao histórico de passivos ambientais associados às Minas da Panasqueira.
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