- Cheiro intenso a azeitona tem-se feito sentir desde a península de Setúbal até à grande Lisboa, com o vento a soprar de sudeste.
- A origem aponta para três a quatro fábricas de processamento de bagaço de azeitona na zona de Ferreira do Alentejo; este ano o odor apresenta maior intermitência devido à chuva.
- O bagaço de azeitona é um subproduto da produção de azeite e é utilizado por várias indústrias como fonte de energia.
- No ano passado, a Agência Portuguesa do Ambiente confirmou concentrações elevadas de compostos odoríferos na área da Grande Lisboa, mas sem problemas em termos de poluentes que pudessem afetar a saúde.
- A investigadora Sofia Teixeira destaca a ausência de regulamentação específica para odores em Portugal, existindo apenas o regime da qualidade do ar que não os contempla.
O cheiro a azeitona tem-se fazendo sentir esta semana entre a península de Setúbal e a grande Lisboa. O odor circula com vento de sudeste, tornando-se mais intenso em áreas planas perto da costa.
A origem aponta para três a quatro fábricas de bagaço de azeitona na zona de Ferreira do Alentejo. A explicação é dada pela investigadora Sofia Teixeira, do Centro de Investigação para o Ambiente e Sustentabilidade da NOVA.
O fenómeno ocorre há anos nesta altura e parece repetido. Este ano há menor persistência do cheiro devido a chuvas recentes, que interferem na concentração atmosférica. Lisboa fica distante da fonte, mas o impacto local preocupa.
Origem e impacto
O bagaço de azeitona é um subproduto da produção de azeite, usado por várias indústrias como fonte de energia. O cheiro dispersa com o vento, chegando a populações vizinhas e gerando desconforto e ansiedade.
Em 2023, a Agência Portuguesa do Ambiente já tinha identificado concentrações elevadas de compostos odoríferos na área da Grande Lisboa, sem indicar riscos relevantes para a saúde. A monitorização é, contudo, limitada aos gases avaliados.
Regulamentação e contexto
Segundo a investigadora, Portugal não possui legislação específica para odores. O regime da qualidade do ar não cobre diretamente este tipo de emissões, ao contrário de países como Alemanha ou Reino Unido.
Ainda assim, especialistas defendem estudo mais abrangente sobre odores para compreender impactos psicológicos e o alcance de eventuais efeitos ambientais nas comunidades vizinhas.
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