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Bactéria ajuda a limpar campos de batalha e devolve fertilidade ao solo

Bactéria Pseudomonas putida desenvolve DNT como única fonte de energia, abrindo perspetivas de descontaminação de solos de zonas de guerra.

Bactéria que se alimenta de restos de explosivos, 20 de março de 2026
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  • Investigadores do Centro Nacional de Biotecnologia do CSIC conseguiram que a bactéria Pseudomonas putida use o dinitrotolueno (DNT) como única fonte de energia, abrindo perspetivas de descontaminação de solos em zonas de conflito.
  • A técnica baseou-se numa evolução adaptativa: expor as bactérias a doses sub-letais de DNT sem nutrientes, forçando mutações que lhes permitissem sobreviver e degradar o composto.
  • Após um ano de cultivo, as bactérias passaram a assimilá-lo como única fonte de carbono e azoto, resultando na produção de biomassa, dióxido de carbono e água.
  • A análise genética revelou alterações em mais de cinquenta genes relacionados com stress químico e reparação do ADN, permitindo tolerar os derivados tóxicos durante a degradação.
  • Embora ainda não seja uma solução aplicável no terreno, o estudo mostra que microrganismos podem, em teoria, completar a degradação de compostos tóxicos que a natureza luta para processar.

Um grupo de investigadores do Centro Nacional de Biotecnologia (CNB-CSIC) demonstrou que a bactéria Pseudomonas putida pode consumir dinitrotolueno (DNT) — um residual tóxico da produção de TNT — como única fonte de energia. O trabalho foi publicado na revista Metabolic Engineering.

A equipa liderada por Víctor de Lorenzo modificou geneticamente a bactéria para degradar o DNT. Contudo, o passo crítico foi fazer a bactéria adaptar-se à presença do composto, já que, inicialmente, não crescia com o DNT no ambiente.

Para alcançar este objetivo, os cientistas expuseram as bactérias a doses sub-letais de DNT, em condições de nutrientes limitados, ao longo de um ano. O objectivo foi induzir mutações que permitissem a sobrevivência e a utilização do DNT como carbono e azoto.

Os investigadores observaram alterações em mais de 50 genes ligados à resposta ao stress químico e à reparação do ADN. Estas alterações permitiram que a Pseudomonas putida tolerasse os derivados tóxicos durante a degradação gradual do DNT.

A análise genética detalha o porquê das falhas anteriores: estudos anteriores identificaram apenas a capacidade de crescer em solos contaminados com DNT noutros microrganismos, não em bactérias distintas. A chave esteve na evolução adaptativa guiada no laboratório.

Este avanço é relevante para solos de zonas de guerra, onde resíduos de explosivos se distribuem por instalações militares, fábricas abandonadas e campos de batalha, com impactos tóxicos para ecossistemas e comunidades vizinhas.

As soluções atuais de descontaminação são, na maior parte, físicas ou químicas e caras. A biologia sintética tem explorado alternativas microbianas há anos, com poucos progressos práticos até agora.

O trabalho, ainda em fase laboratorial, não constitui uma solução pronta para aplicação em campo. No entanto, mostra que é possível desenhar microrganismos capazes de completar a degradação de compostos perigosos que a natureza tem dificuldade em tratar.

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