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Árvores derrubadas podem aumentar a resiliência das florestas

Madeira morta pode aumentar a resiliência das florestas e ajudar no controlo de incêndios, quando gerida com base científica e políticas a longo prazo

A madeira morta é essencial para cerca de 20–30% das espécies florestais mundiais
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  • Estudos europeus, incluindo um relatório de julho de dois mil e vinte e três, sugerem que a madeira morta pode apoiar a gestão de incêndios e a resiliência, pois troncos de grande diâmetro retêm humidade e demoram a pegar fogo, enquanto materiais finos secam rapidamente e promovem a ignição.
  • Florestas estruturalmente complexas, com madeira morta e várias idades de árvores, tendem a ser mais resistentes a incêndios e pragas; a madeira morta de grande dimensão tem menor probabilidade de ignição.
  • Em Portugal, a média de madeira morta por hectare é de cerca de 2,3 m3/ha, face a valores ótimos entre dez e cinquenta m3/ha; a gestão do risco depende da estrutura da paisagem, uso do solo e redução da continuidade do combustível.
  • Propostas incluem manter áreas com pelo menos dez m3/ha de madeira morta de grande dimensão afastadas de populações e infraestruturas, com compensação aos proprietários; triturar materiais finos para promover ciclos naturais; evitar cortes rasos e manter sombra na floresta.
  • A intervenção pública deve equilibrar custos e benefícios, promovendo soluções de Base Natural e políticas baseadas na ciência para evitar problemas repetidos, garantindo também o sustento do setor florestal.

A madeira morta pode desempenhar um papel relevante na resiliência das florestas e no controlo de incêndios, especialmente após tempestades. Estudos recentes reavaliam a ideia de que toda a matéria vegetal é combustível.

Análise recentes mostra que o foco não deve ser apenas troncos no solo, mas também materiais finos como ramos e folhas, que secam rapidamente e alimentam a ignição. A madeira morta de maior diâmetro retém humidade por mais tempo.

Relatórios europeus, incluindo um estudo da Comissão em 2023, sugerem que ecossistemas com madeira morta estruturam-se melhor contra incêndios. Novos trabalhos fortalecem a ideia de que a madeira morta pode ajudar na gestão de fogos quando bem integrada.

Madeira morta como aliado na gestão de incêndios

Troncos com diâmetro acima de 10 cm tendem a manter humidade e a permanecer menos inflamáveis, mesmo após a passagem de fogo. A partir daí, o fogo encontra menos combustível sólido de qualidade elevada para acelerar a propagação.

Estudos indicam que florestas com diversidade de idades e com madeira morta inserida no ecossistema apresentam maior resiliência a incêndios e pragas. Em contrapartida, a ausência de drenagem de combustível pode aumentar o risco numa seca prolongada.

A evidência atual aponta que madeira morta pode contribuir para a estabilidade do solo, suporte de biodiversidade e regulação climática. Em termos práticos, isso significa menos energia liberada pelo fogo e melhor recuperação ecológica.

Implicações para políticas públicas e gestão

A gestão baseada na ciência defende manter áreas com madeira morta de grande dimensão, com medidas de proteção de infraestruturas. Visões de longo prazo defendem soluções que promovam resiliência sem recorrer à simplificação excessiva da paisagem.

Portugueses questionam como financiar intervenções: a remoção de combustíveis finos é cara, mas a integração de madeira morta pode exigir incentivos a proprietários. Projetos de Soluções de Base Natural surgem como opção para reduzir riscos.

Sugere-se manter 10 m3/ha de madeira morta de grande dimensão em locais seguros, com compensação aos proprietários para intervenções seletivas. Em alternativa, triturar materiais finos para reforçar a regeneração do solo.

Observações finais sobre prática e ciência

Alguns caminhos defendem evitar cortes rasos, que favorecem o mato seco. Manter sombra natural ajuda a conter o crescimento de combustíveis. A gestão do risco depende da paisagem, da diversidade de usos do solo e da redução da continuidade de combustível.

O debate continua: políticas públicas precisam alinhar-se com evidências científicas de longo prazo, evitando soluções rápidas que possam agravar o risco. O objetivo é reduzir incêndios futuros mantendo ecossistemas saudáveis.

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