- O presidente da Câmara de Ovar alerta para risco ambiental na praia de São Pedro de Maceda, a 550 metros de um aterro sanitário selado nos anos noventa, com o areal a recuar cerca de 20 metros.
- O aterro, que já foi lixo a céu aberto e está sob monitorização de várias entidades, é visto como “bomba-relógio” que pode provocar contaminação de aquíferos se o mar continuar a avançar.
- Especialistas são cautelosos: se o oceano mantiver a marcha dos últimos anos, pode demorar cerca de cinquenta anos até alcançar o aterro, mas são necessários estudos sobre infiltrações e lixiviados.
- Intervenções urgentes totalizam cerca de 350 mil euros, com investimentos em passadiços, reposição de areias, acessos e equipamentos, mais obras adicionais que elevam o custo a 1,3 milhões de euros até 2027.
- Ovar pretende uma abordagem integrada para a costa, iniciando pela Maceda e incluindo o Furadouro, com ações a avançar de forma faseada para proteger a praia e reduzir impactos futuros.
Ovar enfrenta risco ambiental próximo da praia da Maceda, onde um aterro sanitário selado nos anos 1990 fica a 550 metros do mar. As tempestades recentes provocaram um recuo de cerca de 20 metros da faixa arenosa, o maior regresso da costa em Portugal.
O presidente da Câmara de Ovar advertiu que não foram tomadas medidas para proteger o aterro, considerado uma potencial fonte de contaminação de aquíferos. O autarca afirma que o problema pode tornar-se uma herança ambiental para futuras gerações se não houver intervenção.
Especialistas têm cautela. Um professor da Universidade de Aveiro aponta que, mesmo com o avanço do mar, pode levar várias décadas até que o aterro seja atingido; neste quadro, é crucial avaliar infiltrações e lixiviados. Não houve ação concreta até ao momento.
Risco e monitorização
O aterro está sob monitorização de várias entidades, mas as ações de proteção permanecem sem implementação. O presidente da APA reiterou a necessidade de evitar que o mar chegue ao equipamento, destacando a dimensão nacional do problema.
Em Maceda, o recuo também levou a avaliações para mitigar impactos costeiros. O governo planeia intervenções à época balnear, incluindo apoio de praia, reposição de areias e melhorias de acesso, com orçamentos já em estudo.
Intervenções e custos
As ações urgentes incluem passadiços, novos areais e reabilitações de acessos, com custo estimado em cerca de 350 mil euros. Além disso, partes da obra no Furadouro foram interrompidas pelas tempestades, necessitando de reconstrução.
O conjunto de intervenções previstas em Ovar ascende a 1,3 milhões de euros até 2027, distribuídos por várias zonas costeiras, com a Maceda a receber prioridade por estar em pior estado. A ideia é integrar fases de proteção com estudos científicos.
A autarquia defende que o trabalho deve avançar rapidamente e envolver uma estratégia integrada da costa. O objetivo é assegurar a época balnear e reduzir riscos de erosão, acompanhando as ações nacionais para reforçar a costa portuguesa.
Entre na conversa da comunidade