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Luz dos vizinhos mostra os desafios do consumo partilhado de energia

Cooperativa eléctrica de Rebordosa mantém a luz local desde 1933, distribui energia com menos perdas e serviço rápido, frente ao monopólio nacional

Imagem de contexto do artigo Quando a luz é dos vizinhos
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  • A cooperativa elétrica de Rebordosa, criada em 1933, ilumina a região com energia gerida localmente, servindo cerca de 4600 clientes numa freguesia com mais de 10 mil habitantes.
  • A Celer compra energia na rede nacional e distribui-a em baixa tensão, mantendo 49 postos de transformação por toda a área para reduzir perdas e assegurar o fornecimento local.
  • Em comparação com o mercado, a tarifa da Celer tem-se mantido igual ou inferior ao regulado, com clientes a valorizar o atendimento rápido e o serviço próximo.
  • A fidelidade à cooperativa persiste, mesmo com ofertas de fornecedores externos, destacando o sentido de pertença e independência da comunidade.
  • A Celer planeia dois novos postos, investimento em painéis solares, contratos de energia 100% limpa e baterias para falhas na rede, mantendo o modelo de energia partilhada e soberania local.

A cooperativa eléctrica de Rebordosa, chamada Celer, nasceu em 1933 para iluminar a freguesia com energia gerida pela comunidade. Hoje, quase um século depois, continua a distribuir eletricidade localmente, minimizando perdas e mantendo o serviço próximo dos cidadãos.

Joaquim Neves, sócio da Celer, diz que prefere manter a cooperativa mesmo com faturas mais baixas de outros fornecedores. A Celer sustenta fornos, escolas, mercearias e uma cidade de cerca de 4600 clientes, numa população acima dos 10 mil habitantes.

Origens

Quando nasceu, Rebordosa ainda não tinha rede estabelecida. Dez pessoas juntaram-se para criar a cooperativa, em plena era da eletricidade nascente, para trazer um serviço essencial à comunidade. A ideia era autonomia e melhoria de condições de vida.

Albano Silva, presidente, resume a missão antiga: distribuir energia com boa qualidade, evitar quebras e manter o serviço estável. A sua visão mantém-se: evitar falhas na luz que alimenta forno, indústria e comércio local.

Na defesa da soberania energética

Ao longo dos anos, Portugal liberalizou o mercado e integrou a Celer num sistema elétrico nacional. A rede de alta tensão pertence hoje principalmente à E-Redes, do grupo EDP, enquanto a cooperativa compra energia e a distribui localmente em baixa tensão.

A rede de 49 postos de transformação em Rebordosa permite ligar a casa, o comércio e a indústria. A energia circula por um circuito próximo do território, reforçando o controlo local sobre a distribuição.

A ilha energética das respostas rápidas

Apesar de críticas à lentidão de ligações nacionais, em Rebordosa a rapidez da resposta técnica é evidente. Técnicos de rede mantêm a infraestrutura com prontidão, permitindo ligações em dias, não meses. A perceção local é de serviço próximo e eficiente.

Luís Silva, técnico, explica que aqui a relação direta com o cliente facilita intervenções rápidas. Osvaldo Dias, comerciante, afirma que a solução local pode traduzir-se em contas mais estáveis para o comércio.

Fidelidade dos cooperadores

Na prática, a lei abriu o mercado aos consumidores, que podem escolher outros fornecedores. Para Joaquim, manter a Celer é uma forma de preservar uma relação de pertença com a comunidade. A cooperativa afirma que vende energia ao preço regulado ou abaixo dele, com serviço quase imediato.

No comércio local, muitos clientes repetem a fidelidade à Celer. A conversa entre consumidores e lojistas revela que o preço pode variar, mas a proximidade e o atendimento imediato pesam na decisão.

Arquipélago das cooperativas

Em Portugal, várias cooperativas elétricas, especialmente no norte, servem cerca de 30 mil clientes. Reguladores e as próprias cooperativas veem-nas como modelos de soberania energética local, com redes densas e menor perda de energia. Servem como complemento ao mercado dominante.

O presente e o futuro da Celer

A cooperativa planeia dois novos postos de transformação, para um pavilhão multiusos e para instalações industriais. O objetivo é ampliar a capacidade de distribuição e responder a pedidos de clientes. O investimento inclui também fontes renováveis.

O plano inclui painéis solares e baterias para situações de falha na rede nacional. A Celer já produz parte da energia com instalação própria e compra o restante renovável, alinhando sustentabilidade económica e ambiental.

O que fica quando a conta chega

No registo mensal, a fatura representa a continuidade de uma instituição local para alguns e um indicativo de comparação para outros. A Celer combina rede moderna, serviço rápido e uma ideia de energia partilhada que sustenta a comunidade.

Para Joaquim, manter a cooperação é o preço de manter a terra onde nasceu iluminada. Para os comerciantes, a fatura pode parecer alta, mas a qualidade do serviço e a proximidade justificam a escolha.

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