- Dos 96 glaciares da Áustria, 94 recuaram nos últimos dois anos, segundo o Clube Alpino Austríaco, em relatório de 2024–2025, divulgado a 13 de março.
- Os maiores recuos ocorreram no Alpeiner Ferner, no Tirol ocidental, e no Stubacher Sonnblickkees, em Salzburgo, cada um com mais de 100 metros de distância, com recuo médio acima de 20 metros.
- O Pasterze, o maior glaciar do país, também mostra desintegração da língua glaciária, evidenciando as alterações climáticas.
- A tendência de longo prazo aponta para encolhimento significativo dos glaciares austríacos em comprimento, área e volume.
- O recuo dos glaciares tem implicações para água potável, produção de energia, infraestruturas e atividades nas regiões alpinas, com semelhanças na Suíça e alterações climáticas contribuindo para o fenómeno.
Os glaciares austríacos continuam a derreter rapidamente. A avaliação mais recente, do Clube Alpino Austríaco, mostra que 94 dos 96 glaciares recuaram nos últimos dois anos, com um recuo médio superior a 20 metros. O relatório abrange 2024 e 2025.
Entre os casos mais acentuados, o Alpeiner Ferner, no Tirol, e o Stubacher Sonnblickkees, em Salzburgo, registaram recuos superiores a 100 metros cada. A desintegração da língua glaciária no Pasterze, o maior glaciar do país, já é visível.
O estudo aponta que, a longo prazo, os glaciares da Áustria continuam a encolher significativamente em comprimento, área e volume, refletindo as alterações climáticas que elevam as temperaturas e reduzem a neve de cobertura.
Contexto e impactos
O recuo afeta a oferta de água potável, produção de energia, infraestruturas e atividades de lazer, com consequências para a paisagem alpina. A Suíça, vizinha, regista tendência semelhante, com impactos amplos no turismo e na gestão de recursos.
Desde 2015, cientistas estimam que os glaciares suíços encolheram cerca de 25%, com mais de mil glaciares de pequena dimensão já desaparecidos. Condições meteorológicas desfavoráveis agravam o fenómeno em toda a região.
Condições recentes, como pouca neve e verões arrefecidos por ondas de calor, contribuíram para o recuo. A última avaliação indica que a atual dimensão dos glaciares é a oitava maior em 135 anos de registos.
A vice-presidente do Clube Alpino Austríaco, Nicole Slupetzky, reforça a urgência de resposta. O clube defende que as mudanças devem servir de alerta para decisores políticos e para o público em geral.
A investigação enfatiza que o valor atual, embora abaixo dos dois anos anteriores, marca ainda um recuo relevante no histórico de medições. A tendência aponta para impactos contínuos na gestão de recursos hídricos.
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