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Ultrassons podem salvar ouriços-cacheiros europeus de atropelamentos

Estudos revelam que o ouriço-cacheiro europeu ouve ultrassons; sistemas ultrassónicos em automóveis podem reduzir atropelamentos e favorecer a conservação

Nova investigação mostra que os ouriços-cacheiros europeus conseguem ouvir ultrassons.
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  • Investigadores de Oxford mostraram que os ouriços-cacheiros europeus conseguem ouvir ultrassons, o que pode ajudar a reduzir atropelamentos e ameaças de extinção.
  • O estudo, publicado em Biology Letters, sugere que dispositivos ultrassónicos em automóveis poderiam afastar os animais das estradas.
  • No teste com vinte ouriços reabilitados, foram emitidos sons entre quatro e oitenta e cinco kHz, com sensibilidade máxima perto de quarenta kHz.
  • Exames de microtomografia revelaram ossos do ouvido estruturados para vibrar rapidamente, semelhantes aos encontrados em morcegos que usam ecolocalização.
  • Os investigadores defendem que é possível conceber repelentes ultrassónicos para ouriços, aplicáveis a veículos e a outros equipamentos, como corta-relvas.

Os ouriços-cacheiros europeus podem ouvir ultrassons, segundo uma investigação de Oxford, no Reino Unido, publicada a 11 de março na revista Biology Letters. A descoberta abre a possibilidade de desenvolver sistemas que afaste a espécie das estradas, reduzindo atropelamentos e riscos de extinção. Os investigadores testaram a audição de animais reabilitados em centros dinamarqueses de recuperação de fauna.

O estudo utilizou um pequeno altifalante para emitir sons de alta frequência a 20 ouriços-cacheiros, com sensores que registaram a resposta neural ao ouvido interno. Os dados indicam ativação do tronco cerebral para sons entre 4 e 85 kHz, com sensibilidade máxima por volta dos 40 kHz. O ouvido é, portanto, capaz de processar frequências ultrassónicas.

Após os testes, os animais foram devolvidos à natureza na noite seguinte, sob vigilância veterinária. Exames de micro-CT numa outra amostra de um ouriço morto revelaram uma estrutura óssea do ouvido semelhante a animais que utilizam ecolocalização, como os morcegos, sugerindo uma adaptação evolutiva para ondas sonoras muito elevadas.

Ultrassons podem evitar atropelamentos

Os investigadores estimam que cerca de um terço dos ouriços-cacheiros locais são vítimas de colisões com veículos. A equipa sugere que dispositivos ultrassónicos instalados em automóveis podem desviar os animais das vias, reduzindo o impacto do tráfego na população.

Caso se confirme a eficácia, os dispositivos não apenas protegeriam os ouriços, mas poderiam também aplicar-se a outros riscos, como cortadoras de relva robóticas ou roçadoras de jardim. O objetivo é evitar danos a fauna sem afectar pessoas nem animais de companhia.

A cooperação com indústria automóvel é apontada como a próxima etapa, para financiar e desenvolver protótipos de repulsão sonora. A investigaora principal ressalva que a implementação dependerá de parcerias que promovam dispositivos práticos e acessíveis.

Os autores do estudo destacam que os ouriços-cacheiros europeus parecem perceber uma vasta gama de frequências ultrassónicas. Ainda não está decidido se usam a ultrassonografia para comunicação entre indivíduos ou para detetar presas, mas já está a ser investigado.

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