- Cheias deste inverno evidenciaram falhas estruturais no Vale do Tejo, com diques, valadas e estradas a ceder ao primeiro embate.
- Entre Azambuja e Santarém multiplicam-se remendos de fortuna, sustentados por estacas improvisadas, incluindo a estrada de acesso ao Palácio da Rainha, que ficou cortada.
- A preparação de terreno para o tomate, cultura dominante na região, ficou inviável devido ao solo alagado e à instabilidade da terra.
- Agricultores e o presidente da Associação de Agricultores do Ribatejo dizem que o problema é estrutural e não se resolve com remendos; pedem intervenção de fundo e uma gestão coordenada do território.
- Proposta central: criar uma entidade gestora do território, semelhante a outros regadios coletivos, para assegurar drenagens, margens e infraestruturas agrícolas de forma estável.
Entre a Azambuja e Santarém multiplicam-se estruturas remendadas à pressa, sustentadas por estacas improvisadas e pelo esforço dos agricultores. As cheias deste inverno evidenciam falhas de manutenção de diques, valadas, estradas e portas de água no Vale do Tejo.
Na estrada de acesso ao Palácio da Rainha, na Azambuja, a via cedeu e o trânsito ficou cortado. O desnível é cortado por uma corrente de água que avança e recua conforme a maré, afetando terras de cultura de inverno já instaladas.
A água, ainda alta, invade margens expostas e agrava terrenos onde se pretende plantar tomate, cultura dominante da região, nas próximas semanas. O agricultor Edgar Sousa aponta que a estrada precisava de manutenção há muito tempo.
A tarefa de preparar terreno para o tomate, que pode render até 10 mil euros por hectare, tornou-se impraticável face ao estado atual. A solução não passa por remendos, diz o técnico agrícola.
Contexto
Luís Neves, presidente da Associação de Agricultores do Ribatejo, descreve o cenário como estrutural, não apenas pontual. Cheias mostram falhas acumuladas na rede de drenagem, margens e taludes do território.
O dirigente alerta que, sem uma intervenção de fundo, novas cheias destruirão estruturas dispersas pela região, desde o Tejo ao Mondego. O diagnóstico aponta desinvestimento persistente na manutenção.
A associação tem defendido uma gestão coordenada do território, similar à de outros regadios coletivos. A ideia passa pela criação de uma entidade gestora capaz de assegurar drenagens e infraestruturas agrícolas.
Proposta de solução
Neves defende uma plataforma de entendimento entre proprietários, arrendatários, juntas e autoridades para terminar com o recurso a remendos. O objetivo é manter o vale do Tejo com infraestrutura adequada e resposta integrada à escala territorial.
O presidente recorda que o território é relevante para a alimentação, emprego e economia regional, mas tem sido esquecido em intervenções estruturais. A aposta é por uma gestão sólida que reduza fragilidades face a episódios extremos.
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