Em Alta futeboldesportoPortugalinternacionaispessoas

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Abandono no Vale do Tejo força agricultores a manter o território com remendos

Cheias revelam falhas estruturais no Vale do Tejo; estradas e margens remendadas falham, agricultores exigem intervenção de fundo e gestão coordenada

Abandono no Vale do Tejo obriga agricultores a manter o território com remendos
0:00
Carregando...
0:00
  • Cheias deste inverno evidenciaram falhas estruturais no Vale do Tejo, com diques, valadas e estradas a ceder ao primeiro embate.
  • Entre Azambuja e Santarém multiplicam-se remendos de fortuna, sustentados por estacas improvisadas, incluindo a estrada de acesso ao Palácio da Rainha, que ficou cortada.
  • A preparação de terreno para o tomate, cultura dominante na região, ficou inviável devido ao solo alagado e à instabilidade da terra.
  • Agricultores e o presidente da Associação de Agricultores do Ribatejo dizem que o problema é estrutural e não se resolve com remendos; pedem intervenção de fundo e uma gestão coordenada do território.
  • Proposta central: criar uma entidade gestora do território, semelhante a outros regadios coletivos, para assegurar drenagens, margens e infraestruturas agrícolas de forma estável.

Entre a Azambuja e Santarém multiplicam-se estruturas remendadas à pressa, sustentadas por estacas improvisadas e pelo esforço dos agricultores. As cheias deste inverno evidenciam falhas de manutenção de diques, valadas, estradas e portas de água no Vale do Tejo.

Na estrada de acesso ao Palácio da Rainha, na Azambuja, a via cedeu e o trânsito ficou cortado. O desnível é cortado por uma corrente de água que avança e recua conforme a maré, afetando terras de cultura de inverno já instaladas.

A água, ainda alta, invade margens expostas e agrava terrenos onde se pretende plantar tomate, cultura dominante da região, nas próximas semanas. O agricultor Edgar Sousa aponta que a estrada precisava de manutenção há muito tempo.

A tarefa de preparar terreno para o tomate, que pode render até 10 mil euros por hectare, tornou-se impraticável face ao estado atual. A solução não passa por remendos, diz o técnico agrícola.

Contexto

Luís Neves, presidente da Associação de Agricultores do Ribatejo, descreve o cenário como estrutural, não apenas pontual. Cheias mostram falhas acumuladas na rede de drenagem, margens e taludes do território.

O dirigente alerta que, sem uma intervenção de fundo, novas cheias destruirão estruturas dispersas pela região, desde o Tejo ao Mondego. O diagnóstico aponta desinvestimento persistente na manutenção.

A associação tem defendido uma gestão coordenada do território, similar à de outros regadios coletivos. A ideia passa pela criação de uma entidade gestora capaz de assegurar drenagens e infraestruturas agrícolas.

Proposta de solução

Neves defende uma plataforma de entendimento entre proprietários, arrendatários, juntas e autoridades para terminar com o recurso a remendos. O objetivo é manter o vale do Tejo com infraestrutura adequada e resposta integrada à escala territorial.

O presidente recorda que o território é relevante para a alimentação, emprego e economia regional, mas tem sido esquecido em intervenções estruturais. A aposta é por uma gestão sólida que reduza fragilidades face a episódios extremos.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais