- Um estudo francês mediu partículas ultrafinas e carbono negro em 16 voos europeus a partir do aeroporto Charles de Gaulle, entre abril e maio de 2022, com instrumentos colocados numa posição da frente da aeronave.
- Durante o embarque, taxiing e espera antes da descolagem, as concentrações destes poluentes atingiram valores superiores aos considerados elevados pela Organização Mundial de Saúde.
- Em média, foram registadas 9.122 partículas ultrafinas por centímetros cúbico de ar e 207 nanogramas de carbono negro por metro cúbico, números considerados elevados.
- A melhoria da qualidade do ar ocorre principalmente durante o voo, com a ventilação a renovar o ar mais de 20 vezes por hora, misturando ar exterior com ar recirculado filtrado.
- Os investigadores destacam que a maior concentração de poluentes acontece nos aeroportos e zonas de táxis, podendo afetar comunidades próximas; apenas seis países cumprem diretrizes da OMS.
O ar respirado no aviation durante a fase de taxiing e embarque pode ser o mais poluído de toda a viagem, segundo um estudo publicado em dezembro. Investigadores franceses mediram partículas ultrafinas e carbono negro em aviões comerciais europeus.
A pesquisa, realizada pela Université Paris Cité, acompanhou 16 voos na Europa, com partida do aeroporto Charles de Gaulle entre abril e maio de 2022, operados por uma companhia francesa. Instrumentos portáteis registaram o ar desde o embarque até ao desembarque.
Durante o embarque e a circulação na pista, os níveis de partículas ultrafinas e de carbono negro ultrapassaram valores considerados elevados pela OMS. As medições variaram ao longo da operação, com picos nessas fases iniciais.
As partículas ultrafinas têm menos de 100 nanómetros de diâmetro e são difíceis de detectar com equipamentos comuns. No estudo, a média foi de 9.122 partículas por cm³ e 207 ng/m³ de carbono negro, valores acima do esperado.
Concentrações superiores às de voo foram registadas nas fases de solo, ou seja, embarque, taxiing e espera antes da descolagem. Em altitude, o ar apresentado foi relativamente mais limpo, com a ventilação do interior a renovar o ar várias vezes por hora.
O sistema de ventilação do avião contribui para uma melhoria da qualidade do ar durante o voo, ao misturar ar exterior com ar recirculado, filtrado. Os investigadores destacam que a elevada poluição ocorre, em grande parte, fora da aeronave, em áreas aeroportuárias.
No aeroporto, a presença de veículos de apoio e equipamentos movidos a gasóleo amplifica as partículas. Estas podem estender-se a várias zonas próximas, incluindo linhas de metro e áreas urbanas densas, onde as concentrações foram ainda mais elevadas.
Entre as conclusões, a equipa indica que apenas seis países cumprem as diretivas da OMS sobre qualidade do ar. Em 2025, o tráfego global de passageiros aéreos ultrapassou os 5 mil milhões, com mais de 2 milhões de trabalhadores expostos diariamente nesses ambientes.
Partículas ultrafinas e carbono negro permanecem sem limites legais na UE. A monitorização existe, mas não há regulamentos vinculativos específicos para estas partículas, segundo o estudo e fontes da OMS associadas às diretrizes existentes.
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