- Cientistas da Universidade de Coimbra e da Universidade de Lund reprogramaram pela primeira vez no laboratório um tipo de célula imunitária: as células natural killer (NK).
- Criaram uma plataforma com uma biblioteca de mais de quatrocentos fatores de transcrição para mapear e reprogramar células imunitárias.
- A ferramenta permite testar várias combinações de fatores de forma simultânea, identificando quais promovem diferentes tipos de células imunitárias.
- A investigação pode abrir caminho para imunoterapias celulares mais eficazes e para novas abordagens contra o cancro e outras doenças do sistema imunitário.
- Foi criado um mapa-guia dos fatores que controlam a formação das diferentes linhagens de células imunitárias, ajudando a produzir células para usos terapêuticos.
A equipa de investigadores coordenada pela Universidade de Coimbra e pela Universidade de Lund reprogramou pela primeira vez, em laboratório, células NK, defesa rápida do sistema imunitário contra tumores. A descoberta foi revelada numa comunicação institucional da UC.
A reprogramação foi viabilizada por uma plataforma que facilita o mapeamento e a reprogramação de células imunitárias. A ferramenta junta mais de 400 fatores de transcrição, identificados por códigos de barras, para rastrear quais promovem a transformação de diferentes tipos de células.
Carlos Filipe Pereira, coordenador do estudo no CNC-UC, explicou que a plataforma permite testar dezenas de combinações de fatores em simultâneo. O objetivo é gerar várias variantes de células imunitárias com maior eficácia terapêutica.
A pesquisa não se limita a programar apenas células NK. Foram identificados fatores que melhoram a reprogramação de tipos celulares já conhecidos, abrindo caminho a novas estratégias de imunoterapia celular.
Segundo o comunicado, a imunoterapia é uma área promissora, mas muitos tumores não respondem a este tratamento. A diversidade de células disponíveis é uma das dificuldades atuais.
A equipa salienta que as células imunitárias são, muitas vezes, raras no sangue e difíceis de obter dos pacientes. A produção em laboratório facilita o acesso a componentes úteis para terapias.
O estudo também produziu um mapa-guia dos fatores que controlam a formação de diferentes linhagens de células imunitárias. Este recurso pode facilitar a geração de células para imunoterapia.
Para além de ativar o sistema imunitário contra o cancro, a abordagem poderá, no futuro, permitir ensinar as células a não atacarem o próprio corpo. Isto abre perspetivas para terapias em doenças autoimunes.
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