- Margaret Atwood participou numa sessão no Babell diante de mais de 1.500 pessoas, onde discutiu sete décadas de escrita e referências ao seu livro de memórias, O livro das minhas vidas, já com edição portuguesa pela Bertrand.
- A autora explicou a diferença entre memórias e autobiografias, destacando que as memórias incluem tudo o que lembramos, sem a necessidade de pesquisar a vida, incluindo episódios “estúpidos” do passado.
- Atwood refletiu sobre a “condição dual” de cada escritor, que abriga personalidades distintas no íntimo, numa conversa moderada pela romancista Tânia Ganho.
- Relembrou os primeiros anos de carreira, quando teve de conciliar escrita com outros ofícios e rejeitou um pedido de editor para alterar o final de uma personagem, por entender que a violência era parte da narrativa.
- A conversa abordou o feminismo e a relação entre a ficção distópica de A história de uma serva e a realidade atual, com Atwood mencionando cartas de leitores de todo o mundo sobre abusos, e o comentário sobre a influência de bilionários pró-Trump nos EUA.
Margaret Atwood participou numa sessão no Babell diante de mais de 1500 pessoas, na Praça dos Leões, para falar sobre o seu percurso literário de sete décadas. O encontro, moderado pela romancista Tânia Ganho, incidiu sobre o livro de memórias O livro das minhas vidas, já disponível em Portugal pela Bertrand.
A autora recordou a infância nas florestas do Quebeque e a liberdade frente a normas rígidas, sem separar memória de ficção. Humorada, Atwood respondeu sobre a capacidade de lembrar detalhes com o passar dos anos, numa sessão de diálogo com o público.
A conversa percorreu a dualidade da escrita, destacando que as memórias incluem tudo o que lembramos, sem exigir investigação adicional. A autora explicou que as várias perspetivas dos acontecimentos emergem conforme quem narra.
Condição dual
Foram traçados sinais sobre a forma como o ofício literário acolhe personalidades distintas, presentes no interior de cada escritor. Atwood relembrou obstáculos de início de carreira, incluindo uma passagem em que recusou alterar o final de uma personagem.
A discussão avançou para os primeiros anos de carreira e para o histórico de críticas ao feminismo atribuído à autora. A novelista brincou com a diversidade de identidades femininas e seus desígnios.
A relação entre A história de uma serva e a atualidade foi destacada, com Atwood a mencionar cartas de leitores de várias partes do mundo sobre abusos relatados. A autora apontou ainda para a influência de fenómenos políticos contemporâneos.
A conversa manteve o foco na obra e na ligação entre o passado da autora e as leituras presentes, sem fechar portas a possibilidades futuras. O público participou com perguntas e elogios ao legado literário.
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