- Um advogado no processo Operação Marquês confirmou ter entregue 10 mil euros ao motorista de José Sócrates, a pedido do alegado testa-de-ferro do ex-primeiro-ministro, embora afirme não ter visto crime na ação.
- O arguido, Gonçalo Trindade Ferreira, de 50 anos, colaborou com a empresa de Carlos Santos Silva e responde por três crimes de branqueamento de capitais relacionados com a gestão de imóveis e um cofre com 200 mil euros.
- O cofre, que continha o montante citado, era visto pelo empresário como fundo de maneio para despesas das obras da empresa, incluindo trabalhadores no Brasil, Argélia e Venezuela.
- O advogado afirmou ter entregue 10 mil euros ao motorista de Sócrates apenas uma vez, e ter enviado envelopes também à ex-mulher do ex-governante, sem saber o conteúdo exato, acreditando tratar-se de documentação.
- O Ministério Público sustenta que as quantias pertenciam, na prática, a José Sócrates e resultavam de atos de corrupção; o julgamento decorre em Lisboa desde 3 de julho de 2025, envolvendo cinco dos 21 arguidos.
Um advogado acusado no caso Operação Marquês confirmou ter entregado 10 mil euros ao motorista de José Sócrates, a pedido do alegado testa-de-ferro do ex-primeiro-ministro. O facto aconteceu durante o julgamento em Lisboa, onde o arguido desmentiu qualquer intenção criminosa.
O advogado, Gonçalo Trindade Ferreira, de 50 anos, trabalhou há mais de uma década para uma empresa associada a Carlos Santos Silva, considerado pela acusação como testa-de-ferro de Sócrates. Responde por três crimes de branqueamento de capitais relacionados com operações de compra de imóveis e com um cofre de 200 mil euros.
Durante o depoimento, o réu confirmou o cofre com 200 mil euros, dizendo que o montante pertencia a Carlos Santos Silva e que funcionava como fundo de maneio para obras das empresas do engenheiro, incluindo atividades no Brasil, Argélia e Venezuela.
Entregas de dinheiro e contexto financeiro
Numa ocasião, o dinheiro de 10 mil euros chegou às mãos do motorista de Sócrates, designado João Perna, sem relação profissional direta com o empresário. O advogado afirmou que o envelope continha apenas o montante já entregue, sem detalhar o conteúdo.
Ferreira relatou ainda ter entregue envelopes à ex-mulher de Sócrates entre 2005 e 2011, acreditando tratar-se de documentação. O Ministério Público sustenta que as quantias pertenciam ao ex-primeiro-ministro e teriam origem em atos de corrupção.
Relação com Sócrates e calendário do processo
O advogado reiterou ter atuado unicamente na função de advogado, incluindo a redação de um contrato de arrendamento entre Carlos Santos Silva e Sócrates em Paris, com efeitos retroativos. Sócrates, Carlos Santos Silva, João Perna e Sofia Fava são cinco dos 21 arguidos no processo.
O julgamento decorre no Tribunal Central Criminal de Lisboa, tendo iniciado a 3 de julho de 2025, com alegações de crimes que teriam ocorrido entre 2005 e 2014.
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