O antigo magistrado Hélder Claro, apontado como suspeito de 19 crimes, incluindo corrupção, garantiu inocência na primeira sessão do processo no Tribunal de São João Novo, no Porto. O juiz está afastado do cargo desde 2024 e enfrenta acusações relacionadas com um conjunto de esquemas.
Entre as acusações está a alegada angariação de bailarinas brasileiras para trabalharem num bar de alterne na cidade. O dono do espaço afirmou ter recebido ajuda de Hélder Claro para recrutar as trabalhadoras, com promessas de contratos e condições legais.
O proprietário do bar explicou que, após a pandemia, houve necessidade de repor os grupos de bailarinas. Ao chegar Portugal, sete mulheres e um coreógrafo terão ficado sob acordos de pagamento de 750 euros mensais, com alojamento, segundo o depoimento.
Recrutamento e ligações no caso
Samantha, alegada amante do juiz, é mencionada pela defesa como envolvida no recrutamento, com comissões atribuídas. O dono do bar afirmou ter confiado na intervenção do então magistrado por acreditar na legalidade dos contratos.
A audiência também ouviu depoimentos de dois arguidos ligados a um alegado esquema de corrupção envolvendo o ex-juiz. A acusação sustenta que Hélder Claro era sócio oculto de uma imobiliária e beneficiou-se na venda de terrenos para a instalação de supermercados Aldi em Valongo e Matosinhos.
Paulo Neves, ex-bancário, e José Pires, prospetor de mercado da cadeia, confirmaram movimentação de verbas para comissões. Segundo relatos, houve reuniões em que o juiz mencionou comissões por contactos e negócios.
Hélder Claro é acusado de corrupção ativa no setor privado, com várias outras imputações. Além do recrutamento de trabalhadoras brasileiras, o processo envolve alegados crimes relacionados com cartões bancários furtados e ligações a pessoas já presas por tráfico de droga.
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