- Paulo Neves, funcionário reformado, afirmou em tribunal que apresentou José Pires, prospetor da Aldi, a Hélder Claro, então juiz em julgamento por corrupção.
- Segundo Neves, Claro prometeu que, se o negócio se concretizasse, haveria comissões, incluindo 10 mil euros para Neves e 50 mil euros para Pires por cada negócio relacionado com terrenos para supermercados em Valongo e Matosinhos.
- A promessa teria sido feita em 2019, mas, nos anos seguintes, nenhum valor foi entregue e Neves acabou por contactar Carlos Moura Guedes no início de 2023 para reiterar a promessa.
- Hélder Claro está acusado de corrupção ativa no setor privado e de outros 18 crimes; o caso envolve ainda nove arguidos além dele, totalizando dez no processo.
- Além das acusações related à Aldi, surgem alegações adicionais sobre atividades ilícitas envolvendo pessoas ligadas a Claro, incluindo supostas ligações a cartões bancários furtados e ao empresário Alberto Couto.
O bancário reformado Paulo Neves afirmou em tribunal que apresentou José Pires, prospetor de mercado da Aldi, a Hélder Claro, o antigo juiz hoje julgado por corrupção. O que se passou aconteceu na primeira sessão do processo, que envolve 10 arguidos.
Neves sustentou que, através desse contacto, o juiz terá prometido repartir comissões associadas a negócios imobiliários. O valor referido incluía uma verba de 10 mil euros para Neves e 50 mil euros para José Pires por cada negócio. A promessa foi alegadamente feita em 2019.
Segundo o que o ex-funcionário revelou, José Pires recusou receber aquela possível compensação, dizendo que era assunto entre Hélder Claro e os promotores. O intermediário afirmou ainda que, nos anos seguintes, nada foi concretizado.
Contexto do processo
Hélder Claro é acusado de corrupção ativa no setor privado e responde a 19 crimes no total. O processo envolve negócios relacionados com a venda de terrenos para a instalação de supermercados Aldi em Valongo e Matosinhos, que, segundo a acusação, teriam permitido vantagem criminosa de cerca de 1 milhão de euros.
A denúncia aponta ainda que Hélder Claro era sócio oculto da empresa Imopartner, associada a Carlos Moura Guedes. Neves informou ter contactado Moura Guedes no início de 2023 para abordar o episódio da promessa.
Além deste caso, o antigo magistrado é investigado por alegados fatos adicionais, incluindo alegadas atividades com senhoras do Brasil para trabalho em um bar de alterne no Porto e ligações a operações com cartões bancários furtados, associadas a outros suspeitos, incluindo uma figura arrestada por tráfico de droga.
Este projeto judicial está a ser acompanhado com atenção, dada a diversidade de acusações que envolvem Hélder Claro e a relação com promotores de negócios imobiliários associados a cadeias de supermercados.
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