O homicídio de Carlos Castro, ocorrido em 2011, no quarto 3416 do Hotel Intercontinental, em Nova Iorque, tornou-se um caso que abalou Portugal. O processo judicial que se seguiu permite reconstruir o que aconteceu antes, durante e depois do crime. Do material obtido pelo Observador fazem parte 4 212 páginas, 411 fotografias, 38 vídeos e 11 ficheiros áudio, incluindo a transcrição integral do julgamento.
As mensagens trocadas no Facebook revelam o encontro entre o cronista social Renato Seabra e o modelo Carlos Castro a 15 de outubro de 2010, quando tinham, respetivamente, 65 e 20 anos. No mesmo dia houve um beijo, segundo a confissão de Seabra. Castro enviou um email a uma amiga em Newark para marcar reuniões em agências de modelos em Manhattan. Fotos iniciais em Nova Iorque mostram momentos de alegria antes de tudo se alterar.
Imagens de videovigilância indicam que, na véspera do crime, os dois chegaram ao hotel com desentendimentos que prosseguiram no dia seguinte. Emails posteriores indicam que Seabra tentou antecipar o regresso a Lisboa poucas horas antes do homicídio, a 7 de janeiro. Em tribunal, Seabra afirmou ter agido sem entender o que se passou naquele dia.
Desdobramentos do caso
No dia 7 de janeiro, no quarto do 34.º piso do Hotel Intercontinental, Seabra agrediu Castro com golpes que lhe partiram os ossos da face, usou um televisor e uma cadeira, além de mutilar com um saca-rolhas, cortando-lhe uma orelha, o escroto e os testículos. Após o crime, o modelo foi encontrado a vaguear pela cidade. A investigação recolheu provas da cena, incluindo as armas, vestígios de sangue e impressões digitais.
Em 21 de dezembro de 2012, Renato Miguel de Jesus Seabra, com 22 anos, foi considerado culpado de homicídio em segundo grau. Foi condenado a 25 anos de prisão, com possibilidade de prisão perpétua em regime de alta segurança junto à fronteira com o Canadá, designada pela imprensa como a Pequena Sibéria. O arguido já participou em tentativas de suicídio durante o cumprimento de pena.
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