- Um menor de 12 anos ajudou a Polícia Judiciária a localizar os cadáveres da ex-companheira e da segunda vítima, apontando o local na serra da Nogueira com base em antigas antenas parabólicas da RTP.
- A descrição do jovem, aliada à análise do GPS da carrinha e a pesquisas no telemóvel, levou os investigadores a seguir a pista correta.
- O rapaz terá assistido ao enterro das duas mulheres em Portugal, mas não aos homicídios; está a receber apoio psicológico em território nacional.
- O ex-militar da Gendarmaria, que viajava com os dois filhos, tinha documentos falsos e dinheiro em dinheiro, bem como uma arma sem documentação, quando detido pela GNR na região da Mêda; o caso foi entregue à Judiciária.
- O processo está em segredo de justiça; o arguido apresenta-se a um primeiro interrogatório na quinta-feira às 14h, com a possibilidade de ficar em prisão preventiva antes de uma decisão sobre as medidas de coação.
O filho de um ex-polícia suspeito de duplo homicídio ajudou a Polícia Judiciária a localizar os cadáveres da mãe e da segunda mulher, supostas vítimas do pai. O rapaz de 12 anos descreveu um ponto de referência na Serra da Nogueira, junto a Bragança, com base em antigas antenas parabólicas da RTP. A pista resultou da combinação entre a memória do local e materiais digitais recolhidos pelos agentes.
Segundo as autoridades francesas, o menor acompanhava o pai durante a viagem a Portugal e testemunhou o enterro das duas mulheres, que eram dadas como desaparecidas. O acompanhamento psicológico do menor está a decorrer em Portugal, com a chegada dos familiares à região. A embaixada de França está a acompanhar o caso.
No decorrer de uma ação de fiscalização rodoviária na terça-feira, a mais de 100 quilómetros da Serra da Nogueira, na Mêda, distrito da Guarda, as autoridades detetaram um ex-militar da Gendarmerie Nacional. Seguia numa carrinha com dois filhos e uma bebé, apresentando documentação falsa e uma matrícula irregular, além de uma arma sem licença e dinheiro significativo.
A Judiciária foi alertada e confirmou que o homem estava já a ser procurado em França por rapto e homicídio. Audrey Cavalié, 41 anos, e Angela, 26, companheira atual do suspeito, estavam dadas como desaparecidas pelas autoridades francesas no final da semana anterior. Alegadamente, o ex-polícia sequestrou a ex-mulher e obrigou-a a viajar para Portugal com as duas crianças, onde teriam ocorrido os crimes.
A investigação aponta que, após matar a ex-mulher, o suspeito terá eliminado a segunda testemunha, mas as crianças teriam saído vivas do país. O homem é acusado de manter um histórico de conflitos com a ex-companheira e de ações legais relacionadas com a guarda do filho mais velho. Registos indicam ainda episódios de sequestro de menor e denúncias de assédio.
França já indicou que a extradição é improvável, dada a prática de julgamentos no país por crimes praticados no território português. O processo está a decorrer em Portugal, com o suspeito a aguardar o primeiro interrogatório marcado para esta quinta-feira às 14h, onde poderá manter a posição de não reconhecimento dos homicídios. As medidas de coacção serão definidas após o interrogatório.
O processo corre sob segredo de justiça, mantendo-se a atuação das autoridades em conformidade com o rito legal. As informações disponíveis indicam que o caso envolve homicídios, rapto e crimes conexos, ainda sem certidão de culpabilidade definitiva. O portal não divulga contatos nem links externos, apenas as fontes oficiais citadas.
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