Em Alta futeboldesportoPortugalinternacionaispessoas

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Rede de burlões vendia imóveis de nacionais chineses com vistos ‘gold’

Polícia Judiciária desmantela rede que explorava vistos 'gold' para vender casas de luxo a estrangeiros com documentação falsa, envolvendo branqueamento e recuperação de 1,5 milhões

Operação da Polícia Judiciária de Lisboa permitiu desmantelar rede de burlões
0:00
Carregando...
0:00
  • Rede de burlões, composta por cinco homens e três mulheres, vendia casas de luxo em Cascais e zonas nobres de Lisboa a chineses milionários com vistos ‘gold’, para facilitar circulação no espaço Schengen.
  • Procuravam imóveis, arrombavam, trocavam fechaduras e criavam contratos e identidades falsas, que eram autenticados como propriedade para estrangeiros inexistentes.
  • Os imóveis eram vendidos abaixo do preço de mercado e as visitas eram feitas como se fossem dos compradores, gerando lucros superiores a 10 milhões de euros em pouco tempo.
  • O grupo, com pelo menos dois solicitadores, desviava capitais via transferências e compra e venda de bens de luxo; oito detidos respondem por associação criminosa, falsificação, burlas qualificadas e branqueamento. Um suspeito foi apanhado com armas proibidas.
  • Foram apreendidos imóveis e saldos bancários no valor de 1,5 milhões de euros; as primeiras queixas remontam a julho de dois mil e vinte e cinco, com o desmantelamento concluído em oito meses.

A Polícia Judiciária desmantelou uma rede de burlões que comprava casas de luxo em Cascais e áreas nobres de Lisboa usadas por compradores asiáticos, principalmente chineses, para obter vistos ‘gold’. O grupo arrombava portas, trocava fechaduras e falsificava contratos e identidades, tudo com documentos supostamente autênticos apresentados no Registo Predial. As propriedades passavam a registo de estrangeiros, apesar de não existirem.

As casas eram colocadas no mercado a preços atrativos, abaixo da média, e o grupo realizava visitas como se fossem proprietários. Os lucros ultrapassaram os 10 milhões de euros em pouco tempo, com consequências para proprietários legítimos e compradores estrangeiros. O esquema incluía ainda o desaparecimento após receber 10% do sinal.

Investigações e detidos

A operação ocorreu esta terça-feira, com oito arguidos — cinco homens e três mulheres, entre 26 e 62 anos — a serem presentes a tribunal para primeiro interrogatório. Dois solicitadores integram o grupo, segundo a PJ. Respondem por associação criminosa, falsificação de documentos, burlas qualificadas e branqueamento de capitais.

Algumas habitações teriam ficado totalmente pagas; noutros casos, o grupo simplesmente desaparecia quando recebia o sinal. Para ocultar o percurso financeiro, criaram uma circulação de capitais via transferências sucessivas e comércio de bens de luxo, incluindo automóveis de elevada gama.

Montante e recuperação

A PJ indica a recuperação de imóveis e de saldos bancários de cerca de 1,5 milhões de euros resultantes da venda fraudulenta de habitações. Um dos detidos foi surpreendido na posse de armas proibidas, em regime de flagrante delito.

Contexto do programa Vistos Gold

O grupo operava num contexto de grande procura pelo programa de vistos ‘gold’ de Portugal, que permite circulação no espaço Schengen. O regime tem histórico de atrair investidores estrangeiros, sobretudo chineses, com maior participação na emissão de vistos entre 2012 e 2018.

Desde 2023, as regras foram alteradas, deixando de permitir a compra de imóveis para acesso ao visto. Ainda assim, investidores chineses continuam a visar alternativas, como transferências de capital ou fundos de investimento. Entre 2020 e 2023, o investimento chinês em Portugal ultrapassou 430 milhões de euros.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais