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Advogados ajudam Sócrates a enfrentar crimes de corrupção

Em dois mil e vinte e seis pode prescrever a corrupção ligada ao empréstimo da Caixa Geral de Depósitos ao Vale do Lobo; o processo Marquês permanece travado por renúncias de advogados

Pedro Delille defendeu José Sócrates desde o início do processo, em 2014 até novembro de 2025
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  • Os advogados de Sócrates, já oito, abandonaram a defesa na sequência do caso, abrindo uma dança de renúncias que pode atrasar e até pôr em causa o julgamento da Operação Marquês; o Ministério Público aponta para a eventual prescrição de crimes de corrupção relacionados com o Vale do Lobo e o empréstimo de 200 milhões da Caixa Geral de Depósitos, cuja prescrição pode ocorrer no primeiro semestre de 2026.
  • Segundo a acusação, Sócrates e Armando Vara teriam sido subornados para favorecer, a partir de 2006, o empreendimento Vale do Lobo; Vara foi nomeado para a administração da CGD em 2005.
  • O MP acusa um “carrossel” de advogados renunciantes que já adiou 33 sessões de julgamento e pode ter impedido a audição de cerca de 100 testemunhas desde novembro.
  • A juíza Susana Seca determinou que, na sessão de 17 de dia, sejam ouvidas gravações de declarações de arguidos em inquérito e instrução que não requerem contraditório imediato, totalizando 102 horas e 57 minutos (cerca de 20 dias de julgamento), incluindo depoimentos de testemunhas já falecidas.
  • A Ordem dos Advogados abriu um processo disciplinar a Sara Leitão Moreira após a renúncia na última sessão, com 10 dias para analisar 89 sessões, 400 horas de gravações e 300 mil páginas de autos.

O processo que envolve o ex-primeiro-ministro José Sócrates continua a revelar dificuldades processuais, com recursos legais a adiar o julgamento. A última renúncia de um advogado abriu mais uma frente de incerteza no caso Marquês, já sob escrutínio público.

Entre os temas centrais está um alegado suborno de 2 milhões de euros para facilitar um empréstimo de 200 milhões concedido pela CGD ao resort Vale do Lobo. A acusação aponta para Sócrates e Armando Vara como beneficiários, a pedido de Rui Horta e Costa e Diogo Gaspar Ferreira, a partir de 2006.

Prescrição e impacto

O Conselho Superior da Magistratura indicou que os crimes de corrupção associados à operação Vale do Lobo podem prescrever no primeiro semestre de 2026. Mesmo que haja decisão nesse período, pode ser alvo de recurso, retardando ainda mais o veredito.

Carrossel de advogados

Segundo o MP, o que acontecerá nos próximos meses é marcado por um conjunto de renúncias que já atrasaram 100 testemunhas. Marco António Amaro tornou-se o oitavo advogado a representar Sócrates, mantendo-se até substituir o caso para 17 de dia.

Aprofundamento processual e áudios

Para evitar novos atrasos, a juíza Susana Seca autorizou a leitura de declarações gravadas que não exigem contraditório imediato. Estão disponíveis 102 horas e 57 minutos de material, incluindo intervenções de arguidos já falecidos, para avaliação pelo novo defesa de Sócrates.

A Ordem e a defesa

A Ordem dos Advogados abriu um processo de apreciação liminar contra a advogada Sara Leitão Moreira, contratada por Sócrates, por abandonar a última sessão. A jurista teve 10 dias para analisar 89 sessões, 400 horas de gravações e 300 mil páginas de autos.

Princípio de imparcialidade

As renúncias contínuas e a introdução de gravações sem contraditório imediato visam manter o ritmo do julgamento, sem que o processo se torne inviável. O objetivo é assegurar uma tramitação mais estável e previsível para as partes.

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