- Um ex-administrador de insolvência ficou em prisão preventiva na operação Cinderela, que investiga um esquema para beneficiar insolventes em prejuízo dos credores.
- Em 3 de março, a Polícia Judiciária deteve três ex-administradores, um advogado e seis empresários/comerciantes; no Porto, o Tribunal de Instrução Criminal aplicou medidas de coação a alguns arguidos, incluindo suspensão de funções e proibição de contactos.
- Os arguidos são considerados suspeitos de associação criminosa, corrupção, burla qualificada, insolvência dolosa, falsificação de documentos e branqueamento de capitais, com alegados fatos entre 2023 e 2025.
- A PJ aponta uma atuação organizada em processos de insolvência para favorecer devedores e dissipar património, mediante créditos fictícios e documentação forjada que viabilizavam planos de recuperação.
- A operação Cinderela incluiu 18 buscas, com apreensão de documentos, material informático, dinheiro, objetos de luxo e viaturas de gama alta em residências, empresas e escritórios de advogados.
Um ex-administrador de insolvência ficou em prisão preventiva na sequência da operação Cinderela, anunciada pela Polícia Judiciária (PJ). A ação investiga um alegado esquema criminoso em processos de insolvência que visava beneficiar os insolventes em prejuízo dos credores reais.
A detenção ocorreu a 3 de março, na zona Norte, e envolveu três ex-administradores de insolvência, um advogado e seis empresários e comerciantes. Foram apresentados a primeiro interrogatório pelo Tribunal de Instrução Criminal (TIC) do Porto.
Segundo fonte judicial, o TIC do Porto aplicou a um dos ex-administradores a medida de coação mais gravosa, enquanto outro teve a suspensão de funções como administrador de insolvência, proibição de exercer cargos em empresas, de contactar testemunhas e de entrar em tribunais de Comércio.
Outros quatro arguidos ficaram com o Termo de Identidade e Residência (TIR) e proibidos de contactar intervenientes no inquérito; os restantes quatro detidos também ficaram apenas com TIR. As idades variam entre 44 e 77 anos.
A PJ descreveu a investigação como centrada numa atuação organizada de detidos intervenientes em processos de insolvência e recuperação de empresas, que, no âmbito das suas funções profissionais, criavam créditos fictícios para beneficiar insolventes e desviar património dos credores.
Outra fonte indicou à Lusa que a investigação é autónoma relativamente ao caso do advogado Paulo Topa, detido em dezembro de 2025 por suspeitas de corrupção ligadas a desvios em insolvência. Topa continua em prisão preventiva no âmbito desse processo.
De acordo com a investigação, créditos falsos e documentação forjada permitiam o reconhecimento imediato de credores sem comprovação da dívida, facilitando a apropriação de bens e a aprovação de planos de recuperação.
Os créditos simulados ajudavam a suspender a ação dos credores reais e a dissipar o património existente, segundo o comunicado da PJ. O objetivo era viabilizar a recuperação de empresas com prejuízo para terceiros.
Durante a operação Cinderela foram realizadas 18 buscas domiciliárias e não domiciliárias, em residências, empresas e escritórios de advogados. Foram apreendidos documentos, material informático, dinheiro, objetos de luxo e viaturas de alta gama.
O inquérito está a cargo do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) Regional do Porto e envolve diligências para apurar as interligações entre os arguidos e eventuais cúmplices.
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