- Manuel Serrão foi declarado insolvente pelo tribunal de Vila Nova de Gaia e não tem bens para pagar as dívidas, que chegam a milhões de euros.
- Três bancos reclamam aproximadamente 6,6 milhões de euros em créditos dedicados à Associação Selectiva Moda, entidade associada ao empresário.
- Na Operação Maestro, a investigação aponta para um esquema que terá permitido obter perto de 39 milhões de euros em fundos europeus co-financiados, em quase uma década.
- Em doze projectos, a Selectiva Moda apresentou treze mil setecentos onze documentos de despesa; os gestores consideraram elegíveis mais de 67 milhões, resultando em subsídios próximos de 39 milhões.
- O administrador de insolvência é Francisco Areias Duarte; cúmplices apontados incluem António Sousa Cardoso e o cunhado de Serrão, com a massa falida No Less a ter requerido a insolvência pessoal; Serrão teria vivido no hotel Sheraton, no Porto, durante vários anos.
Manuel Serrão, empresário do Norte, foi declarado insolvente esta semana, sem bens para pagar dívidas que chegam a milhões de euros. A informação foi avançada pelo Jornal de Negócios e confirmada pelo PÚBLICO, num contexto de continuidade da investigação da Operação Maestro.
Segundo revelou o jornal, três bancos exigem ao empresário o pagamento de créditos de cerca de 6,6 milhões de euros, associados à Associação Selectiva Moda, entidade que promovia a moda portuguesa.
Na Operação Maestro, a Polícia Judiciária não concluiu ainda a investigação de um alegado esquema fraudulento que terá conduzido ao recebimento de perto de 39 milhões de euros em fundos europeus, para 14 projetos cofinanciados.
A operação, desencadeada em meados de 2024, aponta para estruturas empresariais criadas para justificar contrapartidas contratuais, relativas a serviços e fornecimentos de bens, com objetivo de captar fundos comunitários.
As suspeitas indicam documentos de despesa simulados ou com sobrefacturação, em vários projetos. Na Selectiva Moda foram apresentados 13.711 documentos de despesa, para mais de 71 milhões de euros.
Entre os projetos, as autoridades consideraram elegíveis mais de 67 milhões, gerando subsídios de perto de 39 milhões de euros. A insolvência foi decretada pelo tribunal de Vila Nova de Gaia na segunda-feira.
Segundo o acórdão, Serrão não é titular de bens, móveis ou imóveis que garantam o pagamento das dívidas, desconhecendo-se a existência de contas ou de quaisquer meios patrimoniais compensatórios. A decisão nomeou Francisco Areias Duarte como administrador de insolvência.
Na investigação criminal são apontados como cúmplices um antigo líder da Associação de Jovens Empresários, António Sousa Cardoso, e o cunhado de Serrão, que tinha uma dívida de 645 mil euros com uma das empresas envolvidas, a No Less, agora assumida pelo principal arguido.
A massa falida da No Less foi quem deu origem ao inquérito que levou à insolvência pessoal de Serrão, com os investigadores a apontar ainda para a relação com a casa de alojamento de luxo Sheraton, no Porto, e imóveis associados à família.
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