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EUA e Maduro: acusações, jurisdição e limites do direito internacional

Caso Maduro no SDNY mostra aplicação extraterritorial do direito penal dos EUA, validada por Grand Jury, com implicações legais e políticas

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EUA vs Maduro: acusação, jurisdição e os limites do direito internacional
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  • O processo no U.S. District Court – Southern District of New York (SDNY) contra Nicolás Maduro e outros está numa etapa inicial, com uma acusação pública substituída por um superseding indictment após anos de investigação.
  • A acusação formaliza crimes federais graves: conspiração para narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína e crimes conexos com armas de guerra, alegando uso de tráfico de droga como instrumento de agressão transnacional contra os EUA.
  • O caso evidencia aplicação extraterritorial do direito penal dos EUA, com nexo relevante entre condutas praticadas no exterior e interesses norte-americanos, justificando a jurisdição federal.
  • O Grand Jury avaliou previamente a acusação, aprovando o indictment original em 2020 e o superseding indictment subsequente, demonstrando investigação prolongada e supervisão democrática da acusação.
  • A fase atual inclui a “initial appearance” do arguido, o arraignment e discussing de provas na fase de pré-julgamento (discovery), bem como questões de imunidade, jurisdição extraterritorial e a doutrina do act of state.

O processo que corre no SDNY – U.S. District Court Southern District of New York – envolve Nicolás Maduro e outros altos dirigentes venezuelanos. Trata-se de um caso de direito penal federal aplicado a crime transnacional, não apenas de âmbito político. A acusação superseding foi apresentada após anos de investigação, sucedendo um indictment de 2020.

Do ponto de vista jurídico, Maduro é acusado de conspiração para narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína e crimes ligados a armas de guerra. A tese centra-se em ligar o tráfico de droga a uma agressão transnacional com destino aos Estados Unidos, envolvendo entidades consideradas terroristas.

O papel do Grand Jury é fundamental: a acusação foi validada por cidadãos do distrito, não pela vontade política. O Grand Jury determina se há causa provável para levar o caso a tribunal. O processo já foi iniciado com o indictment de 2020 e ampliado com o superseding indictment.

A fase processual atual começa com a initial appearance de Maduro, um ato preliminar para confirmar identidade, informar direitos e definir medidas de custódia. Segue-se o arraignment, com o interrogatório da posição do arguido, que pode reconhecer a culpa ou declarar a sua inocência.

Nesta linha, entram as fases de pre-trial e discovery. Durante o pre-trial a defesa recebe as provas da acusação, com possibilidade de arguido apresentar motes e questões de nulidades. O plea bargaining pode ocorrer, embora seja menos comum em casos de grande impacto político.

Act of State e imunidades

A acusação enfrenta a questão da act of state doctrine, que impede tribunais dos EUA de julgarem atos soberanos realizados por Estados estrangeiros no seu território. Contudo, a doutrina não impede a responsabilização por crimes transnacionais graves descritos pela acusação.

A imunidade pessoal também é debatida. A decisão sobre o estatuto de chefe de Estado é geralmente política, mas a sua ausência pode fragilizar a invocação de imunidades. O tribunal foca-se na responsabilidade individual pelos crimes imputados.

Jurisdição e direito internacional

A captura de Maduro levanta questões de direito internacional, mas a jurisprudência dos EUA sustenta que a forma de obtenção da jurisdição não invalida a ação penal. Casos anteriores sobre terrorismo reforçam a autoridade de julgar crimes internacionais graves quando há nexo com os EUA.

O processo permanece numa fase inicial, com potencial de desfecho ainda incerto. A leitura jurídica aponta para a aplicação do modelo de jurisdição federal dos EUA, com controle democrático via Grand Jury e foco na responsabilização individual por crimes transnacionais.

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