- A morte ocorrida em Serpa durante cheias reacende o debate sobre a exposição da população a inundações e a necessidade de avaliação técnica do risco a nível nacional.
- Um estudo exploratório aplica uma metodologia do Centro de Pesquisa sobre Riscos de Inundação da Universidade de Middlesex para estimar mortes em Áreas de Risco Potencial Significativo de Inundação (ARPSI) em cheias com período de retorno de cem anos.
- Exemplos regionais: em Chaves, 79 pessoas expostas, com estimativa de 20 feridos e 2 mortes; em Esposende, 117 expostos, 12 feridos e 2 mortes; em Ponte da Barca, 230 expostos, 23 feridos e 8 mortes.
- Pode haver sobrestimação de feridos e mortes nas estimativas, devido a residentes em áreas próximas à zona inundável que não foram totalmente afetadas pela cheia.
- Propõe-se melhorar a gestão do risco de cheias com avaliação de adaptação, incluindo qualidade dos edifícios, exposição móvel e cenários extremos, para reduzir danos humanos.
O episódio de Serpa, em pleno pico de recentes cheias em várias zonas do país, resultou na morte de um homem, quando o carro foi arrastado pela água. O incidente amplia a avaliação da exposição da população a inundações e a necessidade de avaliações técnicas de risco.
A mobilização de recursos para entender o risco de vítimas humanas em cenários extremos continua a ser prioridade. Especialistas defendem uma avaliação sistemática a nível nacional para identificar áreas críticas e melhorar o nível de preparação da população.
A investigação trata da aplicação de uma metodologia para estimar mortes em Áreas de Risco Potencial Significativo de Inundação (ARPSI), definidas nos Planos de Gestão dos Riscos de Inundação. A abordagem utiliza parâmetros de perigosidade, características da área e demografia.
Em Portugal, o estudo baseia-se em dados de cheias com um período de retorno de 100 anos, com modelação a partir do portal Sniamb, incluindo extensão, profundidade e velocidade da água. Casos exemplares indicam variações regionais do risco.
Chaves regista 79 expostos, com estimativas de 20 feridos e duas mortes. Esposende aponta 117 expostos, com 12 feridos e duas mortes. Ponte da Barca aparece mais vulnerável, com 230 expostos, 23 feridos e oito mortes.
Importa notar que as estimativas podem sobrestimar feridos e mortes, por contarem residentes em áreas limítrofes ainda não totalmente afetadas pela cheia. O estudo reforça a necessidade de ajuste fino na avaliação.
Um estudo do Instituto Potsdam para Investigação do Impacto Climático (PIK) indica que medidas de autoproteção e preparação reduziram mortes por inundações na Europa em 52% desde 1950, sublinhando a utilidade de medidas de mitigação.
Apesar de limitações metodológicas, a projeção é relevante para a gestão de risco em áreas ARPSI e cenários extremos. A modelação poderia incluir population móvel e estado das edificações para aperfeiçoar previsões.
O caso de Serpa serve como ponto de partida para uma reflexão nacional sobre a antecipação de danos humanos em inundações, orientando decisões de gestão de risco e estratégias de mitigação.
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