- José Breijo, de 70 anos, foi libertado na Venezuela sob amnistia para presos políticos e voltou a casa sem saber que estaria ocupada pelo polícia que o deteve.
- Ao regressar a Caracas, descobriu que a habitação estava ocupada pelo mesmo agente; dormiu vários dias no corredor até recuperar o apartamento nesta quarta-feira.
- Durante a detenção, foi acusado de terrorismo e afirmou precisar de 1 500 dólares para fazer um cateterismo; descreve condições duras na prisão.
- A libertação ocorreu após pressão dos Estados Unidos, em reação à captura de Nicolás Maduro numa operação norte‑americana.
- O consulado uruguaio ajudou na recuperação da habitação, num cenário de denúncias de confiscações arbitárias de propriedades de presos políticos na Venezuela.
José Breijo, antigo preso político venezuelano, acordou para uma surpresa: a casa onde vive não era dele, estava ocupada pelo polícia que o deteve. Dormiu vários dias no corredor até conseguir retornar ao apartamento, nesta quarta-feira.
O caso ocorre após Breijo ter sido libertado na semana passada, sob amnistia decretada para presos políticos na Venezuela. O regresso revelou que o imóvel tinha sido atribuído, três meses antes, ao agente envolvido na detenção.
Ocupação e fuga do corredor
Breijo afirma que, ao tentar regressar, os agentes chegaram a expulsá-lo do espaço comum. Sem alternativa, permaneceu no prédio, estudando as escadas com dificuldade de locomoção, para manter-se junto ao seu quarto improvisado no corredor.
O estado de saúde do homem é fragilizado. Durante a detenção, foi-lhe diagnosticado edema pulmonar bilateral, agravando o desgaste físico do período na prisão. Nutrição, mobilidade e repouso têm sido desafios constantes desde então.
Contexto da libertação
O uruguaio-venezuelano Breijo foi detido no final de 2023, relacionado com a tentativa de vender uma fotografia de instalações em Caracas a um alegado grupo islamista, num cenário que coincidiu com o início de hostilidades na região. A polícia alega que o crime foi terrorismo, uma acusação que organizações de direitos humanos consideram frequente contra dissidentes e estrangeiros.
A saída da prisão decorreu sob pressão internacional, com o governo dos EUA a exigir medidas que resultaram na libertação. Breijo dependeu de ajuda de vizinhos e do consulado uruguaio para facilitar a recuperação do imóvel.
Situação atual e contexto
Ao recuperar o apartamento, Breijo constatou que o espaço estava vazio e quase sem móveis. O caso destaca denúncias de confiscações arbitrárias de propriedades por parte de autoridades venezuelanas, relatadas por várias organizações de direitos humanos e opositores do regime.
Entre na conversa da comunidade