José Breijo, antigo preso político venezuelano, acordou para uma surpresa: a casa onde vive não era dele, estava ocupada pelo polícia que o deteve. Dormiu vários dias no corredor até conseguir retornar ao apartamento, nesta quarta-feira.
O caso ocorre após Breijo ter sido libertado na semana passada, sob amnistia decretada para presos políticos na Venezuela. O regresso revelou que o imóvel tinha sido atribuído, três meses antes, ao agente envolvido na detenção.
Ocupação e fuga do corredor
Breijo afirma que, ao tentar regressar, os agentes chegaram a expulsá-lo do espaço comum. Sem alternativa, permaneceu no prédio, estudando as escadas com dificuldade de locomoção, para manter-se junto ao seu quarto improvisado no corredor.
O estado de saúde do homem é fragilizado. Durante a detenção, foi-lhe diagnosticado edema pulmonar bilateral, agravando o desgaste físico do período na prisão. Nutrição, mobilidade e repouso têm sido desafios constantes desde então.
Contexto da libertação
O uruguaio-venezuelano Breijo foi detido no final de 2023, relacionado com a tentativa de vender uma fotografia de instalações em Caracas a um alegado grupo islamista, num cenário que coincidiu com o início de hostilidades na região. A polícia alega que o crime foi terrorismo, uma acusação que organizações de direitos humanos consideram frequente contra dissidentes e estrangeiros.
A saída da prisão decorreu sob pressão internacional, com o governo dos EUA a exigir medidas que resultaram na libertação. Breijo dependeu de ajuda de vizinhos e do consulado uruguaio para facilitar a recuperação do imóvel.
Situação atual e contexto
Ao recuperar o apartamento, Breijo constatou que o espaço estava vazio e quase sem móveis. O caso destaca denúncias de confiscações arbitrárias de propriedades por parte de autoridades venezuelanas, relatadas por várias organizações de direitos humanos e opositores do regime.
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