- O Peru investiga um esquema internacional que terá levado centenas de peruanos para a Rússia com promessas de emprego e os ter enviado para a guerra na Ucrânia.
- O Ministério Público peruano abriu uma investigação preliminar por tráfico de pessoas e violação da dignidade humana; a embaixada da Rússia reconheceu contratos, mas o Peru sustenta que o serviço militar num país estrangeiro sem autorização é ilegal.
- O recrutamento ocorria via anúncios de emprego em redes sociais e aplicações de mensagens, oferecendo salários entre 2.000 e 3.000 dólares e dizendo que os contratos eram legais, com voo para Moscovo e despesas pagas.
- Aconteceu retenção de passaportes à chegada à Rússia, com os recrutados assinando contratos que teriam relação com o Ministério da Defesa russo; alguns foram enviados à linha da frente na Ucrânia. Estima-se que desde outubro de 2025 cerca de 600 peruanos tenham partido e pelo menos 13 morrido.
- Este caso faz parte de uma tendência global de recrutamento de estrangeiros pela Rússia; a Ucrânia aponta 27.407 cidadãos estrangeiros de 135 países a combater ao lado da Rússia até março de 2026, com previsão de aumentar.
O Peru está a investigar um esquema internacional que levou centenas de cidadãos a Rússia, alegadamente para emprego, mas que acabou por enviá-los para a guerra na Ucrânia. Famílias denunciam que os familiares foram recrutados sob pretexto de trabalho e forçados a combater.
A Procuradoria Especializada em Tráfico de Pessoas abriu uma investigação preliminar, em 1 de maio de 2026, com base em artigos sobre tráfico de pessoas e violação da dignidade humana. O Ministério dos Negócios Estrangeiros foi instado a prestar informações, e um grupo de trabalho foi criado para coordenar ações.
A embaixada russa em Lima foi solicitada a esclarecer a localização e o estado de cidadãos peruanos nas suas fileiras. A Rússia admite contratos assinados, mas sustenta que o recrutamento ocorreu de forma voluntária. O Peru afirma que servir num exército estrangeiro sem autorização estatal é ilegal.
Famílias continuam a protestar junto do Ministério dos Negócios Estrangeiros e da Embaixada da Rússia, exigindo a repatriação dos seus entes. A pressão pública aumenta à medida que surgem relatos de pessoas desviadas para o conflito na Ucrânia.
Segundo a Procuradoria, os peruanos recebiam anúncios de emprego para funções como seguranças, engenheiros ou cozinheiros, com salários entre 2000 e 3000 dólares. O recrutamento ocorria via redes sociais e apps de mensagens, com promessas de tramitação rápida de documentos e pagamento de voos.
Ao chegar à Rússia, muitos peruanos teriam tido os passaportes apreendidos sob o pretexto de “registo” e assinado contratos considerados de trabalho, que na prática eram com o Ministério da Defesa da Rússia. Seguidas formações militares aceleradas conduziam à linha de frente na Ucrânia.
Advogado das famílias, Perc y Salinas, aponta que desde outubro de 2025 centenas de peruanos teriam sido recrutados, com pelo menos 13 mortes associadas. A evidência foi divulgada pela AFP e por meios peruanos, gerando repercussão internacional.
Primeiros repatriamentos já ocorreram. 18 peruanos procuraram ajuda na embaixada de Moscovo e regressaram ao Peru. A embaixada confirmou mais três regresses para 3 e 4 de maio, com apoio consular, enquanto dois cidadãos permanecem sob proteção do consulado. O Ministério mantém cooperação para assegurar o regresso em segurança.
A procuradora-geral, Rosio Gala Galvez, lidera um grupo interministerial para proteger peruanos na Rússia. Autoridades pedem cautela a cidadãos com ofertas de emprego duvidosas e mantêm o apoio a processos de repatriação e proteção consular.
Parte da estratégia russa envolve recrutamento de estrangeiros, com salários elevados e benefícios, segundo serviços de inteligência ucranianos. O fenómeno não é exclusivo do Peru e tem repercussão internacional, com dezenas de países afetados, incluindo casos na África do Sul e na Índia.
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