- O conflito entre o movimento Hezbollah e Israel deixou mais de um milhão de pessoas deslocadas e mais de 2.100 mortos no Líbano.
- Cerca de 140 mil deslocados passam dias em centros de acolhimento, incluindo um de Beirute onde vivem 500 pessoas, entre elas grávidas e recém-nascidos.
- O UNFPA indica que existem cerca de 620 mil mulheres deslocadas no país; 13.500 estão grávidas e 1.500 deverão dar à luz nos próximos 30 dias.
- Uma clínica móvel da Caritas Líbano, com apoio de uma ginecologista obstetra, atende grávidas em tendas hospitalares, incluindo monitorização de revisões importantes.
- Em várias instalações improvisadas, como escolas, as gestantes enfrentam dificuldades, desde falta de espaço para amamentar até escassez de leite infantil.
Mariam Zein embala o bebé de 11 semanas sentado num colchão no chão de um centro de acolhimento perto de Beirute. Fugiu do sul do Líbano com o marido e familiares após o início do conflito entre Israel e o Hezbollah, a 2 de março. A casa pode já não existir.
Entre mantas e roupas para bebé, Zein descreve dificuldades para manter privacidade e amamentação, além da escassez de leite infantil. O bebé precisa de calor humano, enquanto a família aguarda por respostas sobre o que acontece a seguir.
A violência no país causou mais de 2100 mortos e obrigou mais de um milhão de pessoas a abandonar as casas. Cerca de 140 mil deslocados vivem em centros de acolhimento, segundo dados oficiais.
Deslocação e serviços médicos
No centro de Maryam Zein, perto de Beirute, encontram-se 500 deslocados, incluindo cinco grávidas e vários recém-nascidos. A amamentação tem sido difícil, e roupas já não servem ao bebé Hussein.
A UNFPA aponta que cerca de 620 mil mulheres vivem como deslocadas no Líbano, com 13.500 grávidas e 1500 a dar à luz nos próximos 30 dias. A agência financia uma clínica móvel operada pela Caritas Líbano.
Theresia Nassar, ginecologista, atende numa tenda com tomógrafo portátil para manter as consultas. Ghada Issa, de 36 anos, está prestes a dar à luz numa escola em Beirute, acompanhada pelo marido e pelos dois filhos.
A família Issa descreve a vida no espaço improvisado como muito difícil. O pai construiu uma cama sob o que recebem para a bebé, enquanto aguardam o nascimento da menina. O casal teme não conseguir compatibilizar necessidades básicas com o parto.
No sul, Ghada Fadel, outra mãe de 36 anos, cuida dos gémeos Mohamed e Mehdi, com pouco menos de um mês de vida, numa sala de aula de uma universidade em Sidon. Fadel viveu numa aldeia perto da fronteira com Israel e perdeu a casa durante os bombardeamentos.
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