- Autoridades sírias decretaram recolher obrigatório total em seis bairros de Alepo, incluindo Ashrafieh e Sheikh Maqsoud, a partir desta noite e até novas ordens.
- O recolher surge no terceiro dia de combates entre o Exército sírio e as Forças Democráticas Sírias (FDS), maioritariamente curdas, com fortes bombardeamentos.
- O encerramento do aeroporto prolongou-se até sexta-feira à noite; lojas, universidades e escolas permaneceram fechadas e cerca de dezasseis mil pessoas fugiram na última atualização.
- A violência já fez pelo menos 21 mortos e despoletou temores de uma escalada regional, com a Turquia a oferecer apoio às autoridades sírias e Israel a defender os curdos.
- O confronto ocorre durante tentativas de implementar um acordo de março para integrar a administração autónoma curda e as FDS no território sírio, sem consenso entre as partes.
O governo sírio decretou recolher obrigatório total em seis bairros de Alepo, incluindo Ashrafieh e Sheikh Maqsoud, zonas com maioria curda. A medida entrou em vigor nesta noite e vale até novas ordens, segundo comunicado provincial. O recolher acontece no terceiro dia de combates entre o Exército sírio e as Forças Democráticas Sírias (FDS).
Fortes bombardeamentos foram efetuados pelo Exército contra posições das FDS nos bairros de Ashrafieh e Sheikh Maqsoud, de acordo com a agência oficial SANA. O confronto deixou várias zonas da cidade sob sirenes e restrições de circulação, afetando serviços e comércio locais.
Lojas, universidades e escolas permaneceram encerradas, e o aeroporto de Alepo teve o funcionamento interrompido até sexta-feira à noite. Milhares de pessoas já fugiram, acelerando o fluxo de deslocados internos na segunda maior cidade do país.
Desdobramentos regionais apontam para um possível impacto maior, com a Turquia a indicar disponibilidade para intervir ao lado das autoridades sírias e Israel a apoiar os curdos. A violência já elevou a mortalidade, com o número de mortos estimado em pelo menos 21.
O conflito surge num contexto de negociações sobre um acordo para integrar as instituições da administração autónoma curda e as FDS no Estado sírio. Mazloum Abdi, comandante das FDS, disse que tentativas de invasão durante as negociações prejudicam o entendimento.
Desde o início dos combates, autoridades têm anunciado corredores humanitários. Pela manhã, civis tiveram três horas para deixar zonas de conflito, num esforço de retirada organizada pelas autoridades locais. Cerca de 16 mil pessoas fugiram no dia, segundo dados oficiais.
Analistas destacam o risco de escalada se a violência se alastrar a outras regiões do norte da Síria. Washington acompanha a situação com preocupação e tem apelado ao cessar-fogo, reforçando a pressão internacional por estabilidade.
Na Turquia e em áreas de maior população curda, mobilizações de apoio aos civis ocorreram em Diyarbakir. O episódio vem numa fase de tensões entre Ankara, Damasco e aliados ocidentais, a poucos meses de novas negociações regionais.
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